“Celestino Graça – O Homem que disse NÃO à mediocridade!” é um livro que esperou doze anos para ser editado, mas que o foi, finalmente, no âmbito das comemorações do 112.º aniversário do nascimento de Celestino Graça, assinalado há cerca de um mês (9 de Janeiro).

A obra, escrita a várias mãos e coordenada por Ludgero Mendes, constitui a mais elaborada biografia dedicada a esta grande figura do Ribatejo, um homem ímpar no seu e cada vez mais no nosso tempo, cuja visão e acção marcaram profundamente a vida social e cultural da região.

Trata-se de uma homenagem, que já tardava, ao homem que foi e ao legado que representa. A obra reúne comunicações de amigos, estudiosos e companheiros de caminho.

Celestino Graça é lembrado como um homem de visão, ética e trabalho, que transformou Santarém com a criação da Feira do Ribatejo, grupos folclóricos e a Praça de Toiros. Destacou-se pela integridade, sentido de serviço e capacidade de mobilizar equipas.

O livro agora publicado reúne um conjunto de comunicações e testemunhos que haviam sido originalmente apresentados em 2014, ano do centenário do nascimento de Celestino Graça. Apesar de previstas para publicação, essas contribuições permaneceram durante doze anos inéditas por ausência de condições financeiras que viabilizassem o projecto. Coube agora ao Município de Santarém assumir, finalmente, o alto patrocínio da edição, numa decisão concretizada em Outubro de 2024.

A obra devolve a Celestino Graça aquilo que o tempo não deve apagar: a sua ética, o seu carácter e a sua capacidade de colocar Santarém à frente do seu tempo, “sem nunca vender a alma ao poder”, como sublinhou Ludgero Mendes na sessão de apresentação da obra.

Cumpre-se, agora, uma dívida antiga com a nossa história local, depois desta publicação do Grupo Académico de Danças Ribatejanas, editado com o apoio do Município de Santarém.

A partir de agora, o nome de Celestino Graça passa a dispor de um registo editorial que, além de memória, é também testemunho e responsabilidade para as gerações futuras. E há tanta santa ignorância neste nosso mundo que se exige gritar bem alto esse “Não à mediocridade”, que se instala quando deixamos de ter modelos, conforme notou Ludgero Mendes na mesma sessão.

Evocar Celestino Graça é, inevitavelmente, percorrer a própria cronologia da afirmação contemporânea de Santarém como capital simbólica do Ribatejo.

A dimensão do seu legado não está apenas nas estruturas que fundou ou nas instituições que dirigiu, está no modo como o fez: com rigor, com ética, com um sentido de serviço que dispensava glória pessoal.

O livro está à venda na Livraria Costa, bem no coração da cidade de Santarém.

Está acessível a todos os que ousam gritar um sonoro NÃO à mediocridade e ao esquecimento.

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