A Vila de Pernes tem, desde o passado domingo, uma galeria que mostra o percurso de quatro décadas de Cândido Azevedo pelo Oriente. Peças com “centenas de anos” que o professor adquiriu ao longo da sua vivência e que decidiu “guardar para ensinar e proteger a identidade de um tempo”.

Cândido Azevedo pretende que o espaço agora inaugurado seja uma sala de aula viva, onde se possa falar da nossa história através das peças expostas.

A ideia de criar o Centro Museológico que Cândido Azevedo pretende que não seja visto como “um depósito de objectos”, mas sim como “um portal de descoberta, compreensão, pleno em dinâmicas e merecedor de visitas constantes”, foi apresentada inicialmente no decorrer da sessão pública das comemorações do 25 de Abril na vila de Pernes, em 2023. No final das intervenções foi levantado o véu do que viria a ser o Centro Museológico, subdividido entre a agora inaugurada “Galeria do Oriente” e o futuro “Museu do Pião”, uma das imagens de marca de Pernes.

Três anos passados, na inauguração do espaço, da qual damos conta nesta edição, destaca-se a enorme grandeza e generosidade desta família que decidiu abdicar de muitas e valiosas peças ali expostas, para que se tornassem “um bem público”.

E faz sentido a escolha de Pernes, terra de torneados, património e memórias que permitem o encontro de culturas, mas também de um executivo da Junta empenhado e atento que soube, com a ajuda do Município, não perder esta oportunidade única de abrir um museu com estas largas centenas de peças, todas adquiridas por Cândido Azevedo nos antigos territórios do Império Português do Oriente.

Outra nota que merece saliência é o facto de, no espaço de um mês, o concelho de Santarém ter ganho dois museus nas freguesias rurais, depois de Alcanede ter inaugurado o Museu de Arqueologia da sua Igreja. Saúda-se a estratégia de valorização cultural descentralizada e de investimento, ao fomentar percursos de visitação por todo o território concelhio.

E como tudo começou em redor de um pião, espera-se, para breve, a abertura de uma nova sala neste Centro Museológico que Pernes agora acolhe, com a mostra de cerca de 1.400 piões também eles parte do acervo que Cândido Azevedo adquiriu em mais de 40 anos de passagem pelo Oriente.

O futuro Museu do Pião, cuja primeira linha de fabrico em Portugal nasceu em Pernes nos finais do século XIX, segundo o professor, terá a particularidade de ser o terceiro no mundo dedicado exclusivamente ao pião, depois dos museus do Japão e dos Estados Unidos.

A vila dos torneados de madeira ganha novos pontos de atracção, novo alento, porque ainda há neste mundo materialista em que vivemos quem abra generosamente a mão e partilhe a sua vivência com os outros.

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