No dia 26 de setembro realizam-se as eleições Autárquicas.
Este é o dia, que em regra ocorre de 4 em 4 anos, onde os cidadãos eleitores são chamados a escolher quem os representa nas suas Freguesias, nas Assembleias Municipais e nas Câmaras Municipais.

Trata-se apenas das 13ªs eleições desta natureza, e isto num processo que se iniciou em 12 de dezembro de 1976, data das primeiras eleições Autárquicas realizadas em Portugal.

Nessas primeiras eleições, foram eleitos 304 Presidentes de Câmaras Municipais, com a curiosidade de PS e PSD terem conseguido nesse ato o mesmo número de Autarquias – 115.

No ato eleitoral do próximo dia 26 e num país com 308 concelhos, 21 deles no distrito de Santarém, teremos aquele que é o segundo ato eleitoral marcado pela Pandemia provocada pelo Covid-19.

Se antigamente as condições climáticas no dia das eleições era um dos principais motivos para a abstenção, a par do desinteresse dos cidadãos no exercício da cidadania, ou do desinteresse com as propostas e candidatos ou, tão simplesmente, a assunção de um papel fora do sistema, temos agora um efeito Covid que influenciou a realização de todo um processo que teve de ser forçosamente adaptado a esta realidade, quer na pré-campanha quer no período de campanha, transportando para estas eleições um novo fator dissuasor da participação e de incógnita nos resultados.

Importa ter presente, numa sociedade moderna e aberta como a nossa, mas infelizmente com uma dinâmica em que as redes sociais se transformaram muitas vezes num território insalubre, assente no insulto e no justicialismo de massas organizadas, que todos aqueles que passam 4 anos atrás de um computador “bitaitando” sobre os destinos das suas terras, seja para dizer bem ou dizer mal, têm agora um momento para ser agentes decisivos para o exercício da democracia.

E esse momento de exercício de democracia e de cidadania é exercido através do voto.
Sim, ainda não temos votação eletrónica a partir das nossas casas.

Sim, não é possível votar em qualquer concelho do país para a Autarquia onde somos eleitores.

Sim, as urnas só estão abertas ao domingo, apesar de existir o voto antecipado nos termos legais.

Mas, fundamentalmente, este é o momento em que todos os eleitores são chamados à participação cívica e em que cada cidadão, sem exceção, tem exatamente a mesma possibilidade de exercer o seu direito e com o mesmo valor de qualquer outro.
Votando em quem bem entende, abstendo-se ou votando nulo.

Trata-se, tão somente, de um dos poucos momentos em democracia em que todos, sem exceção, têm exatamente o mesmo direito. Daí ser tão importante votar.

Se outro motivo não existisse, trata-se também de um ato para honrar todos aqueles que deram a vida para que, em liberdade, cada um tenha direito à sua escolha.
Seja ela qual for.

Inato ou Adquirido – Ricardo Segurado

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