No próximo dia 10 de Julho, às 18h30, a Biblioteca Municipal de Santarém recebe a apresentação de “7 Formas de Morrer”, uma obra autobiográfica que reúne 22 histórias reais e sete momentos de quase morte. Da autoria de Rui Sousa, o livro desafia o leitor a olhar para o seu próprio passado com clareza e a valorizar a vida, através da própria morte.
Natural de Lisboa, o autor de 45 anos abandonou em 2014 um emprego estável e uma relação de sete anos para abraçar o desconhecido, em busca de uma resposta à seguinte pergunta: “Quem sou?”. A viver actualmente em Ourém, Rui Sousa divide o seu tempo entre a escrita, sessões de numerologia e meditação, e os seus passatempos preferidos: observar a natureza, fazer caminhadas longas e fotografia.
Em entrevista ao Correio do Ribatejo, o escritor explica como uma técnica simples de perguntas e respostas numa folha de papel o ajudou a libertar-se dos traumas do passado e a alcançar um estado de auto-aceitação no presente.
O seu livro reúne 22 histórias reais, destacando sete momentos de quase morte. Como foi o processo de transformar estas experiências em palavras escritas?
As primeiras palavras que apareceram na minha mente foram: 7 formas de morrer. A partir daí
percebi que tinha de começar a “escavar” para encontrar esses momentos na minha vida.
Inicialmente resisti a mexer nesses assuntos, mas com a continuação percebi que quanto mais escrevia sobre eles mais livre me sentia.
Sendo uma obra autobiográfica, sentiu algum tipo de vulnerabilidade ao partilhar episódios íntimos e marcantes seus com o público?
Inicialmente procurei na escrita uma forma de me punir a mim e aos intervenientes pelos comportamentos que considerava desagradáveis, mas fiquei surpreendido com o que aprendi ao expor a minha vulnerabilidade.
Menciona que a chave para encontrar sentido no seu passado veio de uma técnica que descobriu há três anos, durante uma caminhada de 28 dias. Que tipo de técnica é esta e como é que ela funciona?
É uma técnica muito simples: fazer perguntas numa folha de papel e aguardar pelas respostas. Neste processo o mais desafiante é ter a coragem de fazer a pergunta porque isso é meio caminho para obter a resposta. O mais interessante é que as respostas são diferentes do que se espera.
De que forma é que essa técnica o ajudou a transformar memórias de sofrimento em paz interior e clareza?
A transformação aconteceu quando comecei a fazer cada vez mais perguntas para compreender o porquê de determinada situação ter acontecido. Por vezes eram precisos minutos, horas ou dias para estar pronto para uma nova pergunta. Foi um processo gradual em cada episódio e só terminava quando tinha um entendimento que me fazia sentido.
Durante a escrita, descreve que as respostas às suas perguntas apareceram num “tom” inquestionavelmente divino. Como é que define ou sentiu essa presença divina no seu processo criativo?
Não há uma palavra ou figura que represente a forma como as respostas surgem. No entanto,
as respostas são no sentido de incluir e integrar, sendo totalmente inesperadas, o que por si só
explica que não podem vir da mente intelectual.
O livro vai ser apresentado no próximo dia 10 de Julho, na Biblioteca Municipal de Santarém. O que espera que o leitor, ao ler a sua obra, sinta ou mude na sua própria vida?
A aprendizagem mais interessante que o leitor pode retirar do livro é que não precisa
de mudar porque é perfeito como é – só ainda não o sabe. Adicionalmente compreenderá que
a morte existe para valorizar a vida, tal como ela é.
