Sacerdote da Diocese de Santarém sucede ao padre Pedro Lourenço Ferreira, que dirigiu o organismo durante 31 anos. Novo responsável fala num “desafio novo” e defende continuidade no trabalho desenvolvido
O padre Joaquim Ganhão, sacerdote da Diocese de Santarém e actual director do Departamento de Liturgia do Santuário de Fátima, foi nomeado director do Secretariado Nacional de Liturgia e secretário da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade. A decisão foi tomada pela Conferência Episcopal Portuguesa, reunida em Assembleia Plenária, em Fátima, e é válida para o triénio 2026-2029.
O sacerdote, que é pároco do Divino Salvador, Sé de Santarém, sucede ao padre Pedro Lourenço Ferreira, da Ordem dos Carmelitas Descalços, que exerceu as funções de secretário da comissão e director do Secretariado Nacional de Liturgia durante 31 anos. O anterior responsável, que celebrou a 13 de Junho os 50 anos de ordenação sacerdotal, continuará a integrar o Secretariado Nacional de Liturgia como vogal.
“É um desafio novo, fui apanhado, de certo modo, de surpresa, mas estou disponível para aprender e para trabalhar com a equipa que temos neste Secretariado Nacional e na Comissão Episcopal”, afirmou.
O novo director do Secretariado Nacional de Liturgia disse encarar a missão com sentido de continuidade, sublinhando o trabalho realizado pelo seu antecessor. O padre Joaquim Ganhão referiu que deseja dar seguimento ao “extraordinário e excelente trabalho que o padre Pedro Ferreira” e as sucessivas comissões episcopais “têm vindo a levar por diante”.
O sacerdote de Santarém recordou também a influência de D. António Francisco dos Santos, bispo que o ordenou, na sua ligação à liturgia. “Tenho um estímulo de raiz neste serviço, que foi o bispo que me ordenou, D. António Francisco, foi um homem que muito fez também pela Liturgia em Portugal”, afirmou, acrescentando que o caminho a seguir deverá ser feito com atenção à realidade das comunidades cristãs.
Segundo o novo responsável, o Secretariado Nacional de Liturgia deve continuar a ser um instrumento de apoio às dioceses. “O Secretariado Nacional procura ser uma ajuda às dioceses para uma boa vivência da liturgia e, nesse sentido, os tempos em que vivemos têm grandes desafios pela frente”, declarou.
Além das funções no Santuário de Fátima e na paróquia da Sé de Santarém, o padre Joaquim Ganhão exerce várias responsabilidades na Diocese de Santarém. É membro do Conselho Presbiteral e do Colégio dos Consultores, director do Museu Diocesano e do Secretariado Diocesano de Liturgia, responsável pela Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja, chefe de Gabinete Episcopal e delegado episcopal para os Seminários.
A Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade continuará a ser presidida por D. José Cordeiro, arcebispo de Braga e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. O organismo integra ainda, como vogais, D. Fernando Paiva, bispo de Beja, D. José Pereira, bispo da Guarda, e D. Nuno Isidro, bispo auxiliar de Lisboa.
José Cordeiro saudou a nomeação do padre Joaquim Ganhão e manifestou gratidão ao padre Pedro Lourenço Ferreira, que classificou como “grande obreiro da reforma litúrgica em Portugal, em colaboração com muitos outros”. O arcebispo de Braga adiantou que a Conferência Episcopal Portuguesa deverá expressar formalmente esse agradecimento, provavelmente na próxima Assembleia Plenária.
A transição acontece no ano em que o Secretariado Nacional de Liturgia prepara o 50.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, que se realiza de 27 a 31 de Julho. O padre Joaquim Ganhão participa nesta iniciativa desde o oitavo encontro e considera que a semana se revelou, ao longo dos anos, “um instrumento pastoral extraordinário” para ajudar as comunidades a descobrir “a Igreja em oração”.
O novo director explicou que a edição deste ano foi preparada pela anterior comissão, com a qual já colaborava há dois anos. “O padre Pedro Ferreira continuará, pelo menos até ao próximo Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica. Estamos em conjunto, trabalhamos em conjunto e é assim que vamos continuar”, afirmou.
José Cordeiro enquadrou o novo mandato da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade num contexto de renovação e de alargamento do trabalho do Secretariado Nacional de Liturgia ao espaço da língua portuguesa. O arcebispo destacou o interesse pelas publicações do SNL em países como Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e Guiné-Bissau, referindo que estes materiais são usados na formação litúrgica de seminários e faculdades de Teologia.
Entre os desafios apontados para o novo triénio estão a coordenação com as 21 dioceses portuguesas, a continuidade dos serviços ligados aos acólitos, à arquitectura e artes para a liturgia, à música sacra e à formação litúrgica, bem como a abertura às necessidades das igrejas locais.
O Secretariado Nacional de Liturgia contará ainda com o padre Renato Oliveira, pároco de Neiva, em Viana do Castelo, e recentemente doutorado em Sagrada Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo, em Roma. O padre Pedro Miguel Roquete Tavares, do Patriarcado de Lisboa, foi nomeado director do Serviço Nacional de Acólitos, sucedendo ao padre Luís Leal.
