Há cerca de dois meses, na Edição de 8 de julho do Correio do Ribatejo, publiquei um artigo relacionado com duas preocupações nacionais: um novo Aeroporto e o rio Tejo.

Volvidos dois meses, e depois do assunto aeroporto ter sido novamente foco de discussão (ou será que tudo continuou a ser como nestes últimos 50 anos?), surge na comunicação social a notícia sobre um eventual aeroporto com localização em Santarém.

Por se encontrar a mais de 75 km de distância do Aeroporto Humberto Delgado, um investimento desta natureza aparentemente não necessitaria da aprovação da ANA Aeroportos, entidade privada e gestora do aeroporto de Lisboa.

O seu financiamento seria proveniente das taxas aeroportuárias, ou seja, do movimento de voos, carga e passageiros do próprio aeroporto.

A favor, e de acordo com o que se conhece, estará também a localização de Santarém face às vias rodoviárias e ferroviárias que atravessam o concelho.

Ficámos ontem (segunda-feira) a saber que o Governo pretende definir a metodologia, que será utilizada para uma decisão quanto à localização do novo Aeroporto, até ao final de 2023.

Ou seja, aparentemente, no final do ano de 2023, haverá uma decisão quanto à sua localização.

Parece tudo demasiado fácil, mas a espera de 50 anos poderá estar à beira do fim.

Pelo menos quanto à localização do Aeroporto.

Mas, não havia já uma decisão do passado para localizações do Aeroporto?

Sim, várias.

A última conhecida seria o Montijo, e, portanto, poderemos estar, sim, na iminência de ser conhecida uma nova localização para um novo Aeroporto.

Depois para a sua construção, bem, serão precisos mais uns anos.

E isto se, entretanto, ninguém se lembrar de sugerir novas localizações.

Ou se na mesma região não existirem ofertas de espaços alternativos para a localização do novel aeroporto.

Haverá certamente ainda muitas páginas de jornais, horas e horas de rádio e televisão para discutir o tema. Talvez como foi acontecendo nestas últimas 5 décadas. Mas, agora ainda mais.

Acompanhadas de Estudos, muitos Estudos, um passatempo nacional.

Até lá, vamos lendo e ouvindo. E percebendo como uma recessão que

está aí à porta poderá afetar ou não uma decisão destas em 2023, num ano que poderá se de contração económica.

Isto se a guerra na Ucrânia se mantiver, bem como os impactos económicos e financeiros que se têm sentido um pouco por todo o Mundo. Já para não falar ao nível dos direitos humanos e da sua violação no território em guerra. O que já parecem pormenores aos olhos de muitos.

Entretanto, o Tejo, com estas chuvas de setembro, poderá recuperar um pouco o seu caudal. Esperemos que assim seja. Mas o problema mantém-se – falta de água. E a sua solução, naquilo que depende da ação humana, convém que não demore mais 50 anos.

Tal como demorou até agora para o Aeroporto.

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