As potencialidades do Alentejo e do Ribatejo como “cenários” para produções de cinema, televisão e fotografia vão ser promovidas por uma nova entidade comum às duas regiões, que pretende “alimentar a imaginação” dos produtores e realizadores.

A Alentejo e Ribatejo Film Commission, apresentada ontem em Évora, está a dar os “primeiros passos”, após a criação formal, e quer promover as duas regiões “em termos cinematográficos, televisivos e fotográficos”, disse à agência Lusa um dos sócios fundadores, o produtor e realizador João Antero.

O responsável, que falava à Lusa à margem da sessão de apresentação da estrutura, explicou que a ideia surgiu no seguimento das oito “Film Commission” já existentes em Portugal (Minho, Porto, Centro de Portugal, Lisboa, Arrábida, Algarve, Madeira e Açores).

“Havia uma região que não tinha ‘Film Commission’, que era o Alentejo e Ribatejo”, mas estas são zonas com “uma capacidade muito grande de valorização” para acolher este tipo de produções e que “interessa aproveitar”, destacou.

Além disso, continuou, “a ‘Film Commission’ é uma associação que existe em todo o mundo” e que “é um garante para produtores, realizadores e argumentistas” de que determinada “região tem condições para receber uma produção cinematográfica ou televisiva”.

Fundada por nove pessoas ligadas ao audiovisual, e por outras nove de outras profissões, a estrutura abarca 58 municípios (47 no Alentejo e 11 no Ribatejo) e pretende fazer a ligação entre estes territórios nacionais e equipas de produção, nacionais e estrangeiras.

As valências “patrimoniais, naturais e imateriais” do Alentejo, exemplificou, são conhecidas, “mas as estruturas de produção, principalmente as estrangeiras, não sabem os pequenos pormenores”, e a Alentejo e Ribatejo Film Commission quer, precisamente, fazer “a divulgação desses espaços cénicos”.

“Vamos participar em feiras e festivais de cinema, internacionais e nacionais, para divulgar a região” e “vamos ter um ‘site’ [na Internet], que está em construção, para alimentar a imaginação dos produtores e realizadores”, frisou João Antero.

A atracção de projectos audiovisuais para as duas regiões, segundo o responsável, pode ser um contributo para o desenvolvimento económico local, atendendo a que, “em todo o mundo, há uma média de 40 milhões de turistas cinematográficos”.

“São turistas que viram filmes na sala de cinema, no ecrã da televisão, e que, curiosamente, vão atrás desses cenários” para as suas férias, assinalou, considerando que é preciso “começar a trazer esse turismo para Portugal”.

A estrutura, assegurou João Antero, já tem o apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e da agência regional de promoção externa das regiões, assim como de “alguns” municípios abrangidos, continuando “o périplo” pelo território “à procura de apoios”.

“Quanto mais se souber lá fora que o Alentejo e o Ribatejo foram cenário para este e aquele filme, mais produtores vêm à procura desses mesmos cenários ou de outros similares”.

Ainda este ano, a entidade pretende promover acções de formação especializadas para actores e técnicos de cinema e, no próximo ano, planeia realizar três festivais de cinema, um em Santarém, outro de animação em Montemor-o-Novo e outro ligado ao surf, no litoral alentejano.

Já com parcerias com as “Film Commission” do Centro, Algarve e Arrábida, a estrutura do Alentejo e Ribatejo, que também já tem um conselho consultivo, que integra vários responsáveis das duas regiões, encontra-se em “fase final” de inscrição no Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).

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