Os árbitros do futebol profissional não iniciaram hoje os trabalhos na primeira ação de reciclagem e avaliação do setor, após a divulgação de áudios em que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) critica a arbitragem.

“Os árbitros do futebol profissional informam que decidiram não iniciar a primeira ação de reciclagem e avaliação de arbitragem, por entenderem que, face aos acontecimentos que têm envolvido a arbitragem nacional, não estão reunidas as condições necessárias para o arranque dos trabalhos”, informou o grupo de ‘juízes’ das competições profissionais, numa nota à qual a agência Lusa teve acesso.

A ação de reciclagem e avaliação da arbitragem começa hoje e prolonga-se até domingo, em Tomar, sendo um encontro de formação obrigatória promovido pelo Conselho de Arbitragem (CA) da FPF para testar e atualizar as capacidades físicas, teóricas e técnicas dos agentes do setor.

O evento decorre a uma semana do arranque da I e II Ligas e intercala o primeiro jogo oficial nas provas internas em 2026/27, já que o campeão nacional FC Porto e o Torreense, do segundo escalão e detentor da Taça de Portugal, disputam no sábado a 48.ª edição da Supertaça Cândido de Oliveira, em Coimbra, sob arbitragem de André Narciso, da associação de Setúbal.

Os árbitros do futebol profissional pronunciaram-se três dias depois da divulgação de áudios do presidente da FPF, em que Pedro Proença critica a qualidade dos árbitros portugueses, recorda os processos judiciais do Benfica e fala de forma pouco simpática sobre José Fontelas Gomes, vice-líder federativo.

Revelados pelo jornal desportivo Record, os excertos também circularam nas redes sociais e remontam a 2024, quando Pedro Proença comandava a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e preparava a candidatura à presidência da FPF, cujas eleições venceria em fevereiro de 2025, ao derrotar Nuno Lobo, ex-líder da Associação de Futebol de Lisboa, para suceder a Fernando Gomes.

Na quarta-feira, Pedro Proença condenou a divulgação “ilegal e imoral” de conversas “privadas, informais, truncadas, meticulosamente selecionadas, distorcidas, incompletas e descontextualizadas”, mantidas em contexto pré-eleitoral com os clubes do futebol profissional e outras partes interessadas da modalidade.

O líder da FPF confirmou ter abordado nessas sessões “diversas matérias relevantes” para o futuro do setor, incluindo a arbitragem e a disciplina, além da equipa que o acompanharia no organismo, caso fosse eleito, e equacionou “acionar todos os meios legais à disposição contra quem contribuiu para a obtenção e posterior divulgação pública” dos áudios.

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