Mário Miguel Machado é o novo presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Santarém, tendo a lista A, que liderava, recolhido 63% dos votos contra 37% da lista B, liderada por Sónia Lobato, presidente cessante.
Com um mandato válido para os próximos quatro anos, a UDIPSS foi novamente a votos este sábado, 18 de Setembro, poucos meses depois de Sónia Lobato, que também concorria, ter sido eleita presidente. Nas eleições antecipadas, devido a “conflitos insanáveis” entre elementos da anterior direcção, há registo de 85 votantes participantes das 186 IPSS associadas (45% de participação) com a Lista A a obter 53 votos (63%), a Lista B 31 votos (37%), havendo ainda um (1) voto em branco.
Mário Machado, novo presidente da UDIPSS, e presidente da Assembleia Geral da IPSS Malaqueijo Solidário (Rio Maior) assume que a entidade será, a partir de agora, “porta-voz das IPSS de Santarém, e evidenciar trabalho, competência, proporcionar resultados, resposta e soluções materialmente relevantes, sobre o que é importante, que será contribuir para dignificar o valor do Sector”.
Mário Machado, que concorreu com o lema “Por um Novo Foco para UDIPSS de Santarém”, transmitiu ao Correio do Ribatejo a visão que tem para a UDIPSS, tendo afirmado ser possível “optimizar, e revitalizar social e económico-financeiramente” as IPSS associadas e a União.
Além de Mário Machado, a nova direcção da UDIPSS de Santarém inclui Tânia Gaspar (vice-presidente), Antonina Oliveira (secretária), José Rodrigues (tesoureiro), Renato Simões, Sara Venceslau e Ricardo Madeira (vogais).
A assembleia-geral é liderada por Simões Marques, que tem como secretários José Maia e Isabel Salgueiro. O conselho fiscal é presidido por Luís Amaral e tem como vogais José Valbom e Filipa Martinho.

Foi eleito presidente da UDIPSS. Quais as principais prioridades para este mandato?
Em primeiro lugar, restaurar a confiança das Associadas. Naturalmente unir as instituições e colocar a União ao seu serviço. Isto passa por identificar os constrangimentos e trabalhar em soluções, realizar sessões informativas e formativas, operacionalizar um gabinete jurídico célere e qualificado, iniciar a operacionalização de um mini “Marketplace”, para promover a diminuição de custos operacionais das nossas instituições. Isto significará mais e melhor solidariedade e o reforço do papel da UDIPSSS, conforme Linhas de Orientação Estratégica e Vectores de Actuação que apresentámos nas eleições.

Quais são os principais problemas vividos pelas IPSS do distrito?
Durante o processo eleitoral ouvimos algumas associadas, a partir do qual foi possível elencar já algumas necessidades. A falta de Recursos Humanos, principalmente de profissionais capacitados para desenvolver a sua actuação nas diversas respostas sociais, nomeadamente, nas que se referem aos idosos.
A necessidade de uma maior sustentabilidade, de acesso ao financiamento, de governação, de comunicação com o mercado, de selecção de oportunidades de revitalização e novos projectos que permitam, cada vez mais, optimizar recursos.
No essencial, é o equilíbrio na sua gestão operacional, pois as receitas estão muito limitadas e o trabalho social não se compadece com isso. Teremos que trabalhar num novo ciclo para o sector social, valorizando o seu trabalho, em toda a sua plenitude. Somos um forte braço na sociedade, mas também precisamos que compreendam o enorme esforço que fazemos para levar a solidariedade a todos os cantos do nosso distrito.
Esta Direcção pretende estar cada vez mais próxima das suas associadas para recolher contributos, preocupações e expectativas, pois só assim poderemos alcançar o foco ao qual nos propusemos: Defender os interesses da União e das suas Associadas.
Aproveitamos para lançar um apelo para a necessidade de um maior envolvimento da população mais jovem nas instituições.

Que soluções defende?
Vamos ter que trabalhar com as instituições e compreender, caso a caso, os problemas para propor soluções de grupo, que não corporativas.
No nosso plano estratégico apresentado às eleições, estão bem definidas as linhas estratégicas. Que as Instituições tenham a capacidade de, após esta pandemia, se reerguer e, se possível, promoverem o desenvolvimento de projectos complementares à sua missão, contribuindo desta forma para um maior equilíbrio e inovação tendo em vista a sua futura sustentabilidade.
Por parte da UDIPSSS encetaremos os esforços que estiverem ao nosso alcance para continuar a apoiar a capacitação de Dirigentes e a profissionalização das Instituições sendo estes dois aspectos cada vez mais importantes.
Uma maior sensibilidade por parte do Governo para a promoção de uma Rede de Respostas Sociais integradas ao nível territorial, nomeadamente novas respostas para o envelhecimento, tais como Moradias Assistidas e aumento da rede de cuidados paliativos.

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Que reivindicações apresentam ao Governo? E às autarquias?
Ao Governo não vamos apresentar qualquer reivindicação. Fazemos parte da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) e iremos apresentar algumas questões que entendemos de elementar justiça para as quais as autoridades nacionais terão que olhar de forma diferente.
Somos um pilar fundamental na política social em Portugal e merecemos ser vistos dessa forma, e não como organizações que vivem de subsídios. Nada mais falso.
É necessário rever o actual modelo das respostas sociais: inovar, criando respostas alternativas que permitam desenvolver uma rede de cuidados por forma a adiar a institucionalização das pessoas que necessitam de um maior e mais diferenciado acompanhamento. Ao nível da infância existe uma necessidade de que se adequem as respostas consoante as necessidades das famílias, nomeadamente, a flexibilização de horários.
Decorrente do processo de transição de competências, a UDIPSSS preconiza uma maior cooperação entre as Autarquias e Instituições, na criação de respostas a necessidades e apoios locais. Reforçamos a necessidade de um trabalho em rede que promova o desenvolvimento de instituições mais fortes e resilientes.

As IPSS desempenham um papel essencial nas respostas sociais asseguradas às populações, principalmente ao nível da infância e da terceira idade. Como caracteriza a actual situação?
As IPSS são o baluarte mais importante no apoio à população. O nosso trabalho, na maior parte das situações, substitui-se ao estado, nos locais mais remotos, onde este não chega. Fazemos todo o trabalho que o Estado não seria capaz de fazer, e a custos extremamente reduzidos para o Orçamento do Estado. Terá que haver esse reconhecimento, materializando-o, por exemplo, com a diminuição da taxa social única dos seus trabalhadores. Temos que trabalhar para uma diferenciação positiva. Em muitos locais, somos o maior empregador, sem qualquer benefício por parte do Estado.

Que papel atribui à União das IPSS do distrito?
Um papel de dinamização, agregação, influência e desafio. Temos que saber dar o exemplo e promover o risco para a modernização e inovação das nossas instituições.

A evolução demográfica – com o crescente envelhecimento da população – coloca grandes desafios também às IPSS. De que forma estão as IPSS a adaptar-se para acolher o crescente número de idosos que carecem dos seus serviços?
Essa é uma grande preocupação para todos nós. A solução não passa pela institucionalização dos idosos, mas sim pela criação de respostas inovadoras, integradas, de proximidade e envolventes. As pessoas têm direito a viver nas suas casas, com a sua história de vida.

Que novas respostas estão a ser encontradas para que os lares e centros de dia não sejam meros armazéns e favoreçam um tempo de qualidade dos seus idosos?
Temos que qualificar as respostas destinadas aos idosos. As ERPI (Estruturas Residenciais para Idosos) e os Centros de Dia não podem continuar a ser indiferenciados, pelo que se torna essencial o desenvolvimento de novas soluções e serviços multidisciplinares de apoio a utentes e famílias. É preciso assumir estas variáveis. Só assim haverá melhor qualidade de vida.

Foram referenciados 130 lares ilegais no distrito, pela Protecção Civil, mas as autoridades consideram que serão mais. O que pensa desta situação?
Em relação aos lares ilegais, sendo um flagelo e não deixando de nos preocupar, não são do sector social. Só existem lares ilegais porque existe procura. Pensar o contrário é utópico. Temos que assumir que as respostas públicas não chegam para a procura, nem devemos limitar-nos a estas, nem devemos pensar que compete ao estado resolver esta questão. O estado deveria ser um facilitador na legalização destes lares, procurando que os mesmos se coloquem em conformidade com a lei e as regras. É no somatório do público e privado que está a maturidade de uma sociedade que respeita os mais velhos e lhes proporciona uma velhice de qualidade.

O actual contexto poderá servir para converter estes lares à legalidade?
Só pode ser. Teremos que aproveitar o momento para dar mais um passo. O nosso foco terá que estar no que a sociedade precisa e procura e não na validação de modelos de gestão ultrapassados.

Considera que o Governo vai ter em conta a excepcionalidade destes anos de pandemia nas actualizações da comparticipação da cooperação com o sector social?
As instituições prestam um serviço ao Estado e todos sabemos que o custo destes serviços está muito abaixo dos custos reais; assim, importa pagar o justo valor.
Não podemos aceitar pagar impostos como uma empresa normal (iva, segurança social, etc) e depois ter utentes que a comparticipação do Estado e dos utentes/famílias, não pagam o custo do serviço, obrigando dirigentes e técnicos a ir à procura de financiamentos, doações, etc, para o equilíbrio das Instituições. É importante reflectir, com coragem e sem demagogias. O sector terá de ser valorizado, pois esquecemo-nos dos trabalhadores, dedicados e incansáveis, que auferem remunerações mínimas, porque não existem condições de suporte que permitam ao sector criar riqueza para pagar melhor.
À semelhança da hoje anunciada revisão/alargamento do Procoop esperamos que possam ser criadas outras medidas de apoio sector.

A COVD-19 deu a conhecer muito mais o sector social. É positiva a imagem que vai ficar?
Completamente positiva. A pandemia demonstrou a resiliência das pessoas e das organizações, foi uma afirmação da capacidade de resposta, de adaptação às contingências, de entreajuda, de inovação e reinvenção dos seus serviços.
Não restam quaisquer dúvidas que as instituições são um pilar fundamental na nossa sociedade. Fazem um trabalho extraordinário e, muitas vezes, em condições muito difíceis, como se verificou nesta pandemia. Quem acudiu aos idosos? Quem esteve com eles nos momentos difíceis dos surtos? Todos sabem a resposta.

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