Quer queiramos ou não, as coisas do outro lado da fronteira são outra loiça! Estou até em crer que se não fosse a força da tauromaquia em Espanha, o panorama português era ainda muito mais sombrio do que na realidade já é. Por muitas voltas que possamos dar aos números, encontrando sempre desculpas para a tendência desfavorável que se constata nas análises estatísticas, o espectáculo taurino no nosso país vai perdendo força em cada ano que passa, pois, o número de eventos decresce, a afluência de público é cada vez menor e a evidência de habilidades empresariais é deveras preocupante.

Segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, relativos à temporada de 2022, realizaram-se no nosso país apenas 177 espectáculos – 170 no continente e 7 na Região Autónoma dos Açores – os quais foram presenciados por 293.436 espectadores, o que representa uma receita de bilheteira de 5.129.015€. Nesta mesma temporada foram contabilizados 51.525 ingressos “oferecidos” pelos promotores dos diversos espectáculos. Atenção, que não haja dúvidas, estes são os indicadores oficiais com que os políticos avaliam a força da tauromaquia no nosso país!

Só na Monumental de “Las Ventas”, em Madrid, realizaram-se esta temporada 59 espectáculos, sendo 35 corridas de toiros, 20 novilhadas e 4 corridas de rejoneio. Mais dois espectáculos do que em 2022. E quanto à presença de público registou-se a entrada de 868.784 espectadores, mais 40 mil que no ano anterior. Em 12 festejos foi afixada a informação de “No hay bilhetes”!

No aspecto artístico, a porta grande de “Las Ventas” foi aberta em sete ocasiões para as saídas em ombros dos matadores Sebastián Castella, Emílio de Justo, Fernando Adrián (por duas vezes), “El Juli” e Borja Jiménez e também do rejoneador Diego Ventura.

Dos curros de “Las Ventas” saíram este ano à arena um total de 368 reses, 14 das quais como “sobreros”. Foram devolvidos aos currais metade dos toiros do ano passado (28). Os toiros mais destacados da temporada madrilena, segundo a empresa Plaza 1, foram o “Valentón”, de Garcigrande; o “Cartelero”, de José Escolar; e o “Contento”, de Santiago Domecq, premiados com volta ao ruedo; 32% das reses lidadas foram aplaudidas e ovacionadas no arraste.

Quanto ao movimento financeiro não são divulgados quaisquer dados, porém basta fazer contas…

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