A Câmara de Benavente quer desenvolver um polo empresarial com cerca de 32 hectares associado ao futuro Aeroporto Luís de Camões, estimando que a instalação de empresas na área possa gerar 100 milhões de euros em volume de negócios.
A estimativa consta de informação enviada pela autarquia à agência Lusa sobre a Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) 4, uma área destinada à instalação de atividades económicas que o município considera “estratégica para aproveitar o impacto da futura infraestrutura aeroportuária prevista para o concelho”.
Segundo a câmara, o polo empresarial ocupará cerca de 32 hectares, distribuídos por três unidades de execução localizadas nas zonas do Carrascal, Carrascal e Foros e Vale de Gaio.
Embora não avance com um número de empresas que poderão instalar-se na área, a autarquia refere que os projetos já identificados ou em fase de prospeção permitem apontar “para um volume de negócios agregado superior a 100 milhões de euros em cada mandato autárquico”, depois “de consolidada a ocupação do espaço”.
O município admite, contudo, que o valor constitui apenas uma estimativa de potencial económico e dependerá das empresas que venham efetivamente a fixar-se no local.
A aposta está diretamente relacionada com a construção do futuro Aeroporto Luís de Camões, no Campo de Tiro de Alcochete, que, segundo o município, deverá aumentar significativamente a procura por terrenos destinados a atividades industriais, logísticas, tecnológicas e de serviços de apoio à atividade aeroportuária.
A câmara considera que a disponibilização antecipada de solo para atividades económicas permitirá captar parte do investimento associado ao novo aeroporto e evitar que os benefícios económicos da infraestrutura sejam absorvidos por outros concelhos.
“A implantação do novo aeroporto irá aumentar substancialmente a procura por espaços destinados a indústria, logística, tecnologia, serviços empresariais, manutenção, atividades aeroportuárias e respetivas cadeias de fornecimento”, refere o município na resposta enviada à Lusa.
A área foi concebida para acolher empresas dos setores do comércio, indústria, serviços, inovação, ciência e tecnologia, ficando excluídas atividades relacionadas com resíduos perigosos ou consideradas poluentes.
A autarquia revelou também que existe já uma empresa de grande dimensão em processo de instalação, ligada ao setor dos biocombustíveis, além de contactos e manifestações de interesse de entidades das áreas tecnológica, científica, da indústria da defesa e dos serviços.
O município não apresenta, nesta fase, uma estimativa para os postos de trabalho a criar, justificando que o número dependerá da dimensão e natureza dos projetos que venham a ser concretizados.
Ainda assim, considera que os efeitos económicos poderão estender-se a atividades como construção, transportes, manutenção, engenharia, comércio, restauração, formação e alojamento.
O processo de execução da UOPG 4 tem prazo até 18 de dezembro de 2028, podendo ser prolongado por mais um ano. Caso os projetos previstos não avancem dentro desse período, os terrenos abrangidos regressam à classificação original de solo rústico.
O Campo de Tiro da Força Aérea, também conhecido por Campo de Tiro de Alcochete (pela proximidade deste núcleo urbano, no concelho de Alcochete, distrito de Setúbal) fica maioritariamente localizado na freguesia de Samora Correia, no concelho de Benavente, tendo ainda uma pequena parte na freguesia de Canha, já no município do Montijo (distrito de Setúbal).
