A Câmara de Abrantes inaugurou a 8 de Dezembro, o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), um equipamento tido como “central” no processo de regeneração urbana da cidade e que representou um investimento de 6,3 milhões de euros (ME).

“É um projecto que foi, e é, muito ambicioso, que estamos a desenvolver quase há 15 anos, e que cria grandes expectativas, e julgamos ter um Museu de relevância regional e mesmo nacional”, disse o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, relativamente a um equipamento que espera “sirva de impulso para toda a dinâmica do turismo, relacionado com as questões culturais, quer a nível regional quer a nível nacional”.

O MIAA, que decorre da requalificação do Convento de S. Domingos através de um projecto do arquitecto Carrilho da Graça, ocupa todos os espaços disponíveis dos dois pisos do antigo convento com áreas de exposições, permanentes e temporárias, onde ficará parte da colecção de arqueologia e arte municipal, o espólio de pintura contemporânea da pintora Maria Lucília Moita e a colecção arqueológica Estrada, propriedade da Fundação Ernesto Lourenço Estrada, Filhos.

São cerca de cinco mil as peças recolhidas no que foi o antigo território da Lusitânia e que fazem parte das colecções da Fundação Estrada, das quais 537 estão seleccionadas para exposição pública ao nível de ourivesaria ibérica, armaria e arte sacra dos séculos XVI a XVIII, além de colecções de numismática, arquitectura romana, medieval e moderna, relógios de várias épocas e uma exposição de arqueologia e história local.
Uma das alas do MIAA será formada por artefactos arqueológicos pré e proto-históricos em pedra, cerâmica, bronze e outros materiais que representam a vida económica e social de várias culturas e povos que viveram no território que hoje é Portugal.

A colecção das cerca de cinco mil peças arqueológicas referentes ao período anterior à fundação da nacionalidade, relacionadas com a Lusitânia, foram “recolhidas e adquiridas em leilões” ao longo de meio século, em vários pontos da Península Ibérica.
As exposições permanentes cruzam a arqueologia e o património artístico de várias épocas, com destaque para a arte contemporânea, apresentando a obra pictórica de Maria Lucília Moita (já do século XXI), em relação com os seus próprios carvões sobre papel e com a fase mais abstracta da sua obra, nos anos 70 do século XX.

O cruzamento do discurso da Arqueologia e da Arte Antiga com a Arte Contemporânea, enquanto porta aberta tanto para o futuro como para o passado, está patente nas duas salas que recebem exposições temporárias com obras da Coleção de Arte Contemporânea Figueiredo Ribeiro.

As restantes salas de exposições temporárias acolherão ao longo do tempo exposições diversas com obras relevantes, contando a inauguração do MIAA com a apresentação da Exposição “Memórias Futuras” – Coleção de Arte Contemporânea do Estado.

A requalificação do Convento de S. Domingos para instalação do MIAA, projecto que foi inaugurado no passado dia 08 de Dezembro, 14 anos após o seu anúncio, é “fundamental para a revitalização do centro histórico” sendo considerado pelo autarca de Abrantes como o “polo nuclear de um projecto estratégico assente numa constelação de museus, de espaços de cultura e de turismo, que formam de facto um conjunto de instalações e dinâmicas muito fortes que potenciam naturalmente o turismo”.

O MIAA “é seguramente um dos elementos-chave desta metodologia e estratégia para conseguir captar para a nossa cidade e para a nossa região mais gente a visitar-nos e, digamos, a partilhar as nossas vivências”, reiterou, tendo destacado a dinâmica que se pretende imprimir nas actividades e mostras do Museu.

“É de facto um Museu com uma grande diversidade, com capacidade de se ir actualizando e renovando, e, como é óbvio, inserido num espaço do antigo Convento de São Domingos, que está todo reabilitado; de facto, é um museu extraordinário e eu acho que todos os abrantinos sentir-se-ão orgulhosos por esta infra-estrutura ao serviço da comunidade”, concluiu.

Com um investimento global total de 6,3 ME, o montante suportado pelo município de Abrantes foi de 3,8 ME.

A Câmara Municipal contou com um apoio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de 2,5 ME, na obra de requalificação física do convento, cuja empreitada foi de 3,6 ME, sendo o restante investimento relativo a estudos, elaboração e concepção do projecto, a par de processos de investigação, promoção e divulgação das diversas colecções do acervo.

O MIAA, que vai ter entradas gratuitas até ao final do mês de Fevereiro, vai estar a funcionar de terça-feira a domingo, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, e encerra à segunda-feira e feriados, excepto no dia 14 de Junho, feriado municipal em Abrantes.

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