O município de Abrantes, hoje classificado no ‘ranking’ nacional de gestão financeira autárquica como o melhor entre 96 concelhos de média dimensão e segundo na lista geral, atribui essa posição ao equilíbrio “entre investimento, despesas e receitas”.

“Estes resultados revelam a capacidade de continuar a investir, de gerir com qualidade, de acordo com as regras – pois todos sabemos que do ponto de vista da gestão financeira existem regras que não podemos ultrapassar – e nessa medida estes resultados são reveladores de irmos investindo, amortizando a dívida, de conseguir captar receitas, portanto há um conjunto de indicadores que são analisados e que nos colocam nesta posição do segundo município do país com melhor gestão financeira e líder dos municípios da nossa dimensão”, disse à Lusa o presidente do município, Manuel Jorge Valamatos, eleito pelo PS.

Em causa estão os dados, hoje divulgados, do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses 2020, executado pelo Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (da Universidade do Minho), com o apoio da Ordem dos Contabilistas Certificados e do Tribunal de Contas, relativamente à eficácia e eficiência na gestão financeira dos 308 municípios portugueses, de pequena, média e grande dimensão.

Em cada uma destas autarquias, o estudo analisou nove indicadores de eficiência financeira, entre os quais o índice de liquidez da autarquia, o seu superavit financeiro e o montante de impostos diretos cobrados por habitantes, sendo Abrantes o primeiro do ranking entre os 96 municípios de média dimensão (entre 100.000 e 20.000 habitantes) e o segundo com melhor resultado total a nível nacional.

Manuel Jorge Valamatos, segundo o qual estes resultados deixam todos os funcionários da autarquia “muito orgulhosos”, salientou que “Abrantes é um município que tem uma gestão financeira muito cuidadosa”, na busca do “equilíbrio entre amortizar dívida e realizar investimentos” no concelho, em particular este ano.

“Estes são resultados que nos deixam muito satisfeitos e que nos indicam que estamos no caminho certo”, afirmou, apontando para os fatores que considera mais decisivos para esse resultado: “Ao mesmo tempo que fazemos investimento de forma cuidadosa e cautelosa, também temos de continuar a fazer a gestão equilibrada e sustentada quer ao nível da arrecadação de receitas, quer ao nível de captação de fundos europeus.” Este, notou, é um exercício “a todo o tempo muito exigente”.

Antecipam-se, contudo, “alguns desafios” para que a Câmara de Abrantes possa manter ou melhorar a posição hoje obtida no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses e que passam por “continuar a ter rigor no que são as […] contas, em investir e ter capacidade de o fazer de forma equilibrada e sustentada” e que passam pela atenção aos apoios comunitários.

“Há algo que tem a ver com isto que vamos fazer, que é a atenção que temos de ter relativamente aos quadros de apoio comunitários e tentar que todos os investimentos que fazemos tenham suporte e capacidade para manter de forma equilibrada o rigor financeiro que temos tido até aqui”, notou Valamatos.

“São resultados que de certa forma nos deixam muito satisfeitos, mas também nos responsabilizam muito, pois temos de facto de manter esta responsabilidade, esta atitude e esta forma de pensar e de agir de acordo com regras e normas financeiras […], para gerir a autarquia da forma equilibrada e sustentável que se exige”, concluiu. 

Os resultados compilados para o Anuário revelam que 77% destas autarquias fecharam 2020 com uma situação “não muito favorável” relativamente à eficácia e eficiência da sua gestão financeira.

“Em resultado da aplicação do ranking global, só 71 municípios se poderão considerar com um nível satisfatório de eficácia e eficiência financeira”, revela o documento.

Segundo o Anuário Financeiro, a pontuação máxima registada em 2020 foi de 1.544 pontos, alcançada pelo município de Santana, concelho de pequena dimensão localizado na Região Autónoma da Madeira, seguindo-se a pontuação de 1.497 atribuída a Abrantes e a de 1.475 obtida por Santa Maria da Feira (município de grande dimensão), no distrito de Aveiro.

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