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O Plano Municipal de Ação Climática do Cartaxo prevê implementar 33 medidas até 2030 para reforçar a adaptação do concelho às alterações climáticas, com foco nas secas, ondas de calor e fenómenos extremos de precipitação identificados como principais ameaças.

O plano, apresentado na câmara municipal do Cartaxo, identifica como principais ameaças ao concelho o aumento das temperaturas, as ondas de calor, as secas prolongadas, a redução da precipitação média anual e a intensificação de fenómenos extremos de precipitação.

Segundo o documento, o Cartaxo poderá registar até ao final do século aumentos da temperatura média entre 2,8 e 5,6 graus Celsius, acompanhados por uma diminuição do número de dias de chuva e por secas mais frequentes e intensas.

Face a este cenário, o município definiu uma estratégia assente em três grandes eixos: adaptação, mitigação e gestão, conhecimento e cidadania.

No eixo da adaptação, o plano prevê medidas como a implementação de sistemas urbanos de drenagem sustentável, a renaturalização de linhas de água, a reabilitação de margens ribeirinhas e zonas húmidas, a adaptação de edificações a fenómenos de cheia e a promoção da arborização urbana com espécies autóctones.

Entre as ações propostas estão também mecanismos de apoio à agricultura para reduzir “os impactos da escassez hídrica e aumentar a resiliência dos sistemas de cultivo perante períodos prolongados de seca”.

Na vertente da mitigação, o documento identifica os transportes rodoviários, a pecuária e a indústria como os principais setores emissores de gases com efeito de estufa no concelho, responsáveis por mais de 80% das emissões diretas registadas em 2019.

Para reduzir estas emissões, o município propõe a renovação da frota municipal por veículos de maior desempenho ambiental, o reforço da utilização dos transportes públicos, a melhoria das infraestruturas para modos suaves e ativos de deslocação, a reabilitação energética de edifícios municipais e privados e a criação de comunidades de energia renovável.

O plano prevê ainda a promoção da produção de biogás a partir de resíduos, medidas de economia circular destinadas ao tecido industrial e ações de conservação florestal para reforçar a capacidade de sequestro de carbono.

O documento escreve também que o concelho apresenta uma capacidade potencial de sumidouro de carbono estimada em cerca de 37 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, associada sobretudo às áreas florestais, superfícies agroflorestais e pastagens.

O documento alerta igualmente para a situação dos recursos hídricos, indicando que as massas de água subterrâneas dos Aluviões do Tejo apresentam um índice de escassez hídrica classificado como extremo e que a Vala da Azambuja regista igualmente “níveis elevados de pressão sobre os recursos disponíveis”.

Ao nível da mobilidade, o diagnóstico conclui que 70% das deslocações pendulares dos residentes são efetuadas em transporte individual rodoviário, enquanto o peso do transporte coletivo tem diminuído na última década, um cenário que o município pretende inverter.

O plano estabelece um horizonte de implementação de cinco anos, até 2030, prevendo o recurso a financiamento nacional e comunitário, nomeadamente através do Fundo Ambiental, Portugal 2030, Fundo de Coesão, FEDER, Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural e Programa LIFE.

No documento, o município indica ainda que a estratégia passa por “dotar o concelho do Cartaxo de consciência para a adaptação às alterações climáticas, promovendo a transição para uma economia de baixo carbono e a criação de um modelo energético sustentável e resiliente”.

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