Com cerca de 200 associados e uma actividade que cruza cultura, formação, convívio e apoio social, a Casa do Professor de Santarém procura renovar a sua base associativa, acompanhar uma comunidade cada vez mais envelhecida e melhorar as condições da sede. Integrada desde 2000 na Associação de Solidariedade Social dos Professores (ASSP), a estrutura mantém também uma resposta de alojamento temporário para docentes deslocados.
A Casa do Professor de Santarém aproxima-se dos 39 anos de actividade com um desafio que a sua direcção não esconde: continuar a acompanhar uma comunidade de professores cada vez mais envelhecida e, ao mesmo tempo, conseguir atrair docentes mais novos que assegurem a renovação e o futuro da associação. Cultura, formação, convívio, bem-estar e apoio social cruzam-se actualmente numa estrutura que mantém cerca de 200 associados e que, desde 2000, integra a Associação de Solidariedade Social dos Professores (ASSP).
“A nossa principal missão é sermos uma associação de solidariedade social”, resume Luísa Magalhães, presidente da Delegação de Santarém da ASSP. A partir dessa matriz, explica, a instituição procura desenvolver actividades culturais e de lazer suficientemente diversificadas para mobilizar os associados, mas também para abrir a casa à comunidade. As tardes culturais são um dos instrumentos dessa aproximação, funcionando simultaneamente como espaço de aprendizagem, debate e convívio.
A programação é definida pela direcção e procura responder aos interesses dos associados. Pintura, yoga, sofrologia, ginástica postural e correctiva, caminhadas, visitas culturais, viagens, idas ao teatro e a concertos fazem parte de uma oferta que a associação pretende manter tão abrangente quanto possível. As tardes culturais percorrem temas que vão da História à arqueologia, da geopolítica à música clássica, passando por matérias de natureza científica e social. A intenção, sublinha Luísa Magalhães, é proporcionar conhecimento, discussão de ideias e, sobretudo, oportunidades de encontro entre professores.
As iniciativas são entendidas como forma de ampliar horizontes, promover a aprendizagem ao longo da vida e reforçar os laços entre docentes, com particular atenção aos que vivem situações de maior isolamento.
É nesse ponto que surge uma das principais preocupações da actual direcção. “O nosso grupo de associados está a ficar muito envelhecido”, reconhece Luísa Magalhães. A Casa do Professor quer continuar a trabalhar com os docentes aposentados, mas sabe que precisa de “trazer gente nova para dentro da associação”. A formação certificada promovida pela estrutura nacional da ASSP tem contribuído para aproximar alguns professores no activo, mas, segundo Dúnia Palma, vice-presidente da delegação, a entrada de novos associados ainda não compensa totalmente a perda natural de membros mais velhos.
A própria dimensão territorial mudou quando a Casa do Professor de Santarém passou a integrar a ASSP, em 2000. Até então centrada essencialmente na cidade, tornou-se Delegação de Santarém de uma associação com implantação nacional, alargando a sua área de intervenção a um território que abrange vários concelhos do distrito e chega, inclusive, ao Médio Tejo. A estrutura nacional foi criada em 1981, conta com cerca de 10.600 associados e possui 15 delegações, dirigidas tanto a professores no activo como aposentados. Dispõe ainda de quatro residências sénior, localizadas em Setúbal, Carcavelos, Aveiro e Porto, e mantém um fundo de solidariedade social destinado a associados que comprovadamente necessitem de apoio.
A componente social permanece, por isso, no centro da actividade em Santarém. A direcção procura manter contacto com professores mais idosos ou isolados, nomeadamente através de telefonemas e visitas, sempre que estas são possíveis. “Queremos continuar a investir nos nossos colegas mais velhos, aposentados, que sofrem mais isolamento neste momento”, afirma Luísa Magalhães. O acompanhamento pode passar por um simples contacto para saber se estão bem ou se necessitam de algum apoio. “Quanto mais não seja, para não se sentirem tão sozinhos.”
Dúnia Palma lembra que a associação chegou a organizar visitas regulares a associados residentes em lares e centros de dia, uma prática que se tornou mais difícil depois da pandemia, devido às maiores restrições de acesso a algumas instituições. A preocupação, defendem ambas, é preservar a ligação aos associados sem invadir o seu espaço pessoal. “É bom eles saberem que alguém se preocupa”, sintetiza a vice-presidente.
Alojamento para professores deslocados
Uma das respostas mais concretas da Casa do Professor de Santarém continua a ser o alojamento temporário de docentes deslocados. A sede dispõe de quatro quartos preparados para esse fim, com acesso a cozinha e restantes espaços comuns. Um dos quartos tem casa de banho privativa e as despesas de água e electricidade estão incluídas. Segundo a direcção, a ocupação é habitualmente elevada e, no momento da entrevista, existia apenas um quarto disponível.
“Há professores que, se não fosse isto, teriam muito mais dificuldade”, sublinha Dúnia Palma, lembrando que os docentes alojados podem utilizar a casa com autonomia e receber familiares ao fim-de-semana. A resposta tem acolhido professores oriundos de diferentes pontos do País, alguns dos quais permanecem mais do que um ano lectivo e acabam por recomendar a solução a outros colegas.
A divulgação deste alojamento é feita sobretudo junto dos agrupamentos de escolas, numa lógica de resposta dirigida a professores deslocados. A Casa do Professor não pretende assumir-se como concorrente directo do mercado de arrendamento de quartos, explica Dúnia Palma, mas antes preservar uma resposta social enquadrada na missão da associação.
Sede precisa de obras e melhores acessos
O futuro da delegação passa também pela própria casa. A direcção considera prioritária a continuação das obras de conservação e adaptação do edifício e admite que algumas intervenções ultrapassam a capacidade financeira da associação. A Câmara Municipal de Santarém e a Junta de Freguesia já apoiaram trabalhos realizados na sede, mas Luísa Magalhães diz que permanecem problemas estruturais que exigem nova intervenção.
“Há aspectos estruturais que actualmente podem mesmo estar a pôr em perigo uma parte do nosso edifício”, afirma a presidente, que pretende sensibilizar novamente as autarquias para as necessidades da instituição. A acessibilidade é outra das prioridades. Com uma população associativa envelhecida e alguns professores com mobilidade reduzida, a Casa do Professor reconhece que os actuais acessos condicionam a participação de quem mais poderia beneficiar das actividades. “Se não tivermos os acessos, eles não podem visitar-nos. Temos de adaptar”, salienta.
A direcção quer ainda reforçar a divulgação das actividades, ouvir regularmente os associados sobre os seus interesses e melhorar a participação nas iniciativas. Esse esforço terá de combinar meios digitais com formas tradicionais de comunicação. A associação continua, por exemplo, a imprimir e enviar pelo correio a sua publicação própria, porque uma parte dos associados mais idosos não utiliza redes sociais ou ferramentas digitais.
Na base de todas estas opções, diz Luísa Magalhães, está a necessidade de compatibilizar solidariedade e sustentabilidade. A maioria dos colaboradores trabalha em regime de voluntariado e as actividades são organizadas procurando evitar prejuízos para a associação. O plano de acção da delegação assume como prioridades a proximidade aos associados, a captação de novos membros, a dinamização da sede, o reforço de parcerias e a manutenção do património.
A Casa do Professor reivindica, por outro lado, maior reconhecimento institucional pelo trabalho realizado. Luísa Magalhães recorda que a associação já promoveu em Santarém um grande seminário dedicado à educação, com participantes vindos de vários pontos do País, e manifesta disponibilidade para continuar a colaborar com autarquias, escolas e outras instituições. “Gostaríamos de ter mais reconhecimento também por parte da autarquia e da Câmara, que nos procurassem mais e nos visitassem”, afirma.
Entre a necessidade de renovar a base associativa e a obrigação de continuar presente junto de quem envelheceu dentro da profissão, a Casa do Professor procura assim manter o equilíbrio entre duas gerações. Para Luísa Magalhães, esse continua a ser o princípio orientador da instituição: apoiar os professores no presente sem perder de vista a continuidade da própria associação. A formulação inscrita no plano de acção resume essa ambição: “Apoiar o presente dos professores para construir um melhor futuro.”
Everilde Pires apresenta Nada Toca o Infinito a 13 de Outubro
A Casa do Professor de Santarém recebe, no próximo dia 13 de Outubro, às 17h30, a apresentação do livro de poesia Nada Toca o Infinito, de Everilde M. Oliveira Pires. A sessão integra o programa “Outubro — Mês do Professor” e está incluída nas Tardes Culturais promovidas pela Delegação de Santarém da Associação de Solidariedade Social dos Professores.
Natural do distrito de Bragança, Everilde Maria de Oliveira Pires licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas pela Universidade de Coimbra e desenvolveu grande parte da sua carreira docente em Santarém. Ensinou História no ensino secundário e Português no 2.º ciclo, tendo passado também pelo Magistério Primário e pela Escola Superior de Educação de Santarém. Em 1989 concluiu o Curso Superior Especializado em História e Literatura Africana e Ensino do Português em África, no Instituto Politécnico de Santarém. capa e contra slides
Entre 1980 e 1990 orientou estágios e, durante vários anos, coordenou a formação de professores no SPGL, em Santarém, e no Instituto Irene Lisboa. O percurso profissional, a experiência no ensino e o interesse pela Literatura e pela condição humana acabariam por reforçar uma dedicação à escrita que acompanha a autora há vários anos. Colaborou também no semanário Correio do Ribatejo, onde publicou, em colaboração com Maria Manuel Simão, uma obra de carácter histórico e pedagógico intitulada Mestre Cid e a escola do seu tempo. capa e contra slides
A apresentação de Nada Toca o Infinito contará ainda com a audição de “poesias escolhidas” pela professora Berta Pereira e com um momento de debate com o público.
Luísa Magalhães explica que a iniciativa surgiu de forma natural, pela ligação de longa data da autora à instituição. Everilde Pires é associada da Casa do Professor e manifestou vontade de apresentar a obra num espaço que lhe é familiar. A proposta acabou por coincidir com a primeira Tarde Cultural do novo ciclo e com as comemorações do Mês do Professor, criando, nas palavras da presidente, um “ouro sobre azul”.
Filipe Mendes
