O nível das águas do rio Tejo tem mantido as instalações do Rancho Folclórico da Ribeira de Santarém submersas. Entre a suspensão dos ensaios e os quase certos danos no espólio do grupo, o mesmo aguarda que as águas desçam para que possa voltar a levar os costumes e tradições da Ribeira pelo país. 

O Rancho Folclórico da Ribeira de Santarém vive uma situação de constrangimento devido às cheias do rio Tejo que têm assolado a povoação ribeirinha, inundando a sua sede e o seu museu etnográfico localizado nas antigas instalações da Casa da Portagem. 

“Já sofremos algumas cheias. Apanhámos uma em 1979 muito grande e que nos danificou o acervo. No entanto, não pensámos e sentimos que esta fosse tão grande”, conta Manuel José Menino, presidente da direcção do Rancho da Ribeira de Santarém. 

Há duas semanas debaixo de água, ainda não é possível contabilizar os prejuízos da sede e do museu etnográfico. No entanto, uma grande parte do acervo documental e do espólio museológico, entre os quais se encontram trajes em alça e calçado folclórico tradicional, poderá estar perdido. 

“Estão ali peças muito antigas, com mais de 100 anos”, refere Manuel José Menino que explica que as peças têm agora de ser limpas e tratadas com os produtos adequados para tentar garantir a sua conservação. 

Para além do acervo documental, também o estrado onde o grupo ensaia sofreu graves danos. Uma infra-estrutura que custou cerca de dois mil euros. 

“Aquilo está tudo enlameado. Está tudo empenado, as tábuas estão soltas. Está ali um problema!”, exclama. 

O grupo tinha previsto iniciar os trabalhos de limpeza no passado fim de semana (dias 14 e 15 de Fevereiro), mas a água continuou imóvel nas ruas da Ribeira. 

“A praça está cheia de água. Estamos à boca do Tejo, na parte baixa da povoação, junto à Santa Iria. Portanto, levamos com a água toda em cima”, afirma. 

Com espectáculos agendados por todo o país no mês de Março, o grupo vê-se agora impossibilitado de ensaiar e preparar-se para os seus compromissos de agenda. O desejo de voltar aos palcos é grande e Manuel José Menino adianta que assim que a situação fique regularizada, todos estarão prontos para aturar novamente. 

“Logo que passe temos de tratar, lavar tudo e começarmos a acelerar o processo de danças e cantares. Há todo um trabalho já confirmado e é necessário dar seguimento. Mas neste momento estamos impotentes, perante a situação”, confessa, revelando que o grupo se vai candidatar a apoios municipais. 

Fundado em 1972, o Rancho Folclórico da Ribeira de Santarém preserva as tradições, danças e cantares da região do Ribatejo. Membro Efectivo da Federação do Folclore Português, o rancho tem sido um espaço de acolhimento da população ao longo dos anos, nomeadamente os mais desfavoráveis. 

“Nunca disse que não a ninguém. Vejo a pessoa, traço-lhe a radiografia e digo-lhe: Se quiseres vir, podes aprender música que o grupo paga. Temos instrumentos para ires aprender”, relata. 

Presidente da instituição há mais de 50 anos, Manuel José Menino tem lutado pela preservação do folclore na Ribeira de Santarém, uma vez que considera que a arte etnográfica representa a identidade de uma região e país.

“Se nós deixarmos morrer as nossas tradições, o país não tem identidade”, defende.

RSP

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