A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo manifestou-se otimista com o investimento de 500 milhões de euros (ME) anunciado para Tancos, defendendo que a utilização civil da pista militar seja alargada a outras atividades.
“É uma excelente notícia, que nos deixa com grande expectativa e muito otimismo quanto à valorização de uma infraestrutura que há muito consideramos importante para a região e para o país”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, em declarações à agência Lusa.
O também presidente da Câmara de Abrantes reagia ao anúncio da instalação de uma escola de pilotos da Lufthansa no aeródromo militar de Tancos, em Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém, no âmbito da proposta do grupo alemão para a privatização parcial da TAP.
Segundo o Governo, o projeto representa um investimento de 500 ME, incluindo uma comparticipação pública de 50 ME, destinada sobretudo à intervenção na pista, que permitirá utilização civil e militar. A escola deverá criar cerca de 200 postos de trabalho.
Valamatos considerou que o investimento poderá impulsionar a economia regional e atrair novas empresas e serviços.
“Temos uma esperança incrível de que esta valorização traga desenvolvimento económico para a região, de forma direta, relacionado com as questões do Exército, da Força Aérea e da aviação civil, mas que depois possa arrastar um conjunto de outras empresas e atividade económica”, afirmou.
O presidente da CIM assegurou que os municípios não foram surpreendidos pelo anúncio, após vários contactos com sucessivos governos e com o Exército para defender a valorização da infraestrutura.
“Não fomos surpreendidos. Temos vindo a acompanhar todo este processo e há muito que insistimos na mais-valia desta pista, nas suas condições e naquilo que permite, bem como na sua localização”, explicou.
Questionado sobre se o projeto concretiza a reivindicação de utilização dual do aeródromo, defendida há vários anos pelos autarcas, respondeu afirmativamente e destacou o papel do Exército, que considerou “decisivo em todo este processo”.
Contudo, sublinhou que a ambição regional não se esgota na escola de pilotos, defendendo outras atividades de aviação civil.
“Continuaremos sempre a defender o potenciar desta infraestrutura. O que desejamos é que possamos otimizar ao máximo esta infraestrutura, que é importante para a nossa região e para o país”, declarou.
Valamatos adiantou que a CIM tem uma reunião agendada para a próxima semana com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e pretende continuar envolvida na definição do futuro de Tancos.
“A partir deste momento estamos ainda mais empenhados em fazer parte do processo de orientação das medidas de futuro”, afirmou.
Por seu lado, o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato, saudou o projeto, mas defendeu, numa publicação nas redes sociais, esclarecimentos sobre ruído, acessibilidades, segurança e contratação local, para salvaguardar a qualidade de vida da população.
Também nas redes sociais, o presidente da Câmara de Santarém e da CIM da Lezíria do Tejo, João Teixeira Leite, destacou o potencial do investimento para criar emprego e atrair visitantes, apontando benefícios para o projeto turístico Viva Mundo — World of Football.
A CIM Médio Tejo tem defendido há vários anos a reativação do antigo aeródromo da Base Aérea n.º 3 de Tancos, atualmente integrado no dispositivo do Exército, para utilização conjunta por entidades militares e civis.
Em novembro de 2024, após uma reunião com o chefe do Estado-Maior do Exército, os autarcas consideraram existir abertura por parte da instituição militar para a utilização dual da infraestrutura, ficando a concretização dependente de decisões políticas.
O projeto prevê uma escola de pilotos e a adaptação da pista para uso civil e militar, não estando esclarecido se poderá acolher outras operações aeronáuticas além da formação.
Defesa realça que Tancos terá uso civil sem prejudicar operações militares
O Ministério da Defesa Nacional realçou hoje que a futura escola de pilotos da Lufthansa em Tancos terá de funcionar sem comprometer a vocação militar do aeródromo, estando previstos investimentos para reforçar a capacidade operacional do Exército.
Em resposta a perguntas da agência Lusa, a tutela sublinha que o Aeródromo Militar de Tancos, situado no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém, é uma infraestrutura do Exército que necessita de investimentos para a requalificação da pista, torre e edifícios, de forma a garantir o seu potencial militar e permitir também a utilização civil, “em termos que não afetem a sua vocação militar primordial”.
O ministério tutelado por Nuno Melo aponta que outros aeródromos militares em Portugal já permitem uso civil em maior ou menor dimensão, tendo em conta a avaliação de diferentes critérios, “desde que não prejudiquem a função primordialmente militar”, dando como exemplo as bases militares da Força Aérea em Beja e Lajes, no arquipélago dos Açores.
O Governo realça que o aeródromo de Tancos “é estratégico” para o Exército, nomeadamente no treino e transporte de tropas paraquedistas e enquanto base da Aviação Ligeira do Exército, que deverá receber ainda este ano as primeiras aeronaves de asa rotativa.
“Não obstante, pela respetiva dimensão, localização e características, o Aeródromo Militar de Tancos, beneficiando de relevantes investimentos de reabilitação e modernização, aumentará a capacidade operacional do Exército e permitirá, no que não seja incompatível, a utilização para fins civis e também de apoio militar às populações civis”, lê-se na resposta enviada à Lusa.
Quanto à futura escola de pilotos, o ministério remeteu os detalhes para a conclusão dos processos negociais em curso, não esclarecendo, para já, o modelo de gestão conjunta da infraestrutura, a repartição dos investimentos ou a eventual abertura a outras operações de aviação civil.
A posição surge na sequência do anúncio feito na quarta-feira pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, de um investimento de 500 milhões de euros (ME) associado à instalação de uma escola de pilotos da Lufthansa em Tancos, no âmbito da proposta do grupo alemão para a privatização parcial da TAP.~
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, anunciou uma comparticipação pública de cerca de 50 ME, destinada sobretudo à intervenção na pista, que passará a permitir utilização civil e militar. O projeto deverá criar cerca de 200 postos de trabalho, com entrada em funcionamento prevista para 2029 ou 2030.
A utilização civil e militar de Tancos é defendida há vários anos pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, que saudou hoje o anúncio do investimento, mas manifestou a expectativa de que a atividade civil não fique limitada à escola de pilotos.
“É uma excelente notícia, que nos deixa com grande expectativa e muito otimismo quanto à valorização de uma infraestrutura que há muito consideramos importante para a região e para o país”, afirmou à Lusa o presidente da CIM, Manuel Jorge Valamatos.
O também presidente da Câmara de Abrantes considerou que o projeto poderá impulsionar o desenvolvimento económico do Médio Tejo, atraindo empresas e atividades ligadas à aviação civil e militar.
Valamatos afirmou que a CIM tem acompanhado o processo através de contactos com sucessivos governos e com o Exército e adiantou que está prevista para a próxima semana uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
Em novembro de 2024, após uma reunião com o chefe do Estado-Maior do Exército, os autarcas do Médio Tejo consideraram existir abertura da instituição militar à utilização dual do aeródromo, ficando a concretização da proposta dependente de decisões políticas.
