Os resultados do PISA for Schools no Médio Tejo revelam uma diminuição das competências dos alunos em leitura, matemática e ciências entre 2020 e 2025. Os dados foram apresentados durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação (CDIEd), realizada no passado dia 9 de Outubro, em Tomar, que reuniu representantes da comunidade educativa da região para analisar os indicadores de aprendizagem e discutir medidas de intervenção nas escolas.
A reunião decorreu no auditório da Escola Básica 2,3 D. Nuno Álvares Pereira, sob orientação da equipa técnica da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM Médio Tejo), e contou com a participação de representantes dos municípios, agrupamentos de escolas, escolas não agrupadas, centros de formação de associação de escolas, centros Ciência Viva e Universidade Politécnica de Tomar.
Um dos principais pontos da ordem de trabalhos foi a apresentação dos resultados do PISA for Schools, uma iniciativa associada ao programa internacional PISA, promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que avalia as competências dos alunos de 15 anos em leitura, matemática e ciências ao nível de cada estabelecimento de ensino.
Os resultados globais do Médio Tejo foram apresentados por Marta Procópio e Susana Serra, elementos da equipa multidisciplinar responsável pela implementação e acompanhamento do projecto em Portugal.
A comparação dos dados recolhidos em 2025 com os de 2020 revelou um decréscimo nas três áreas avaliadas, embora os indicadores relativos ao bem-estar dos alunos se tenham mantido positivos, em linha com os resultados nacionais e da OCDE.
A excepção verificou-se na dimensão designada por “mentalidade de crescimento”, relacionada com a convicção dos alunos de que podem desenvolver e melhorar continuamente as suas capacidades e competências. No domínio das competências socioemocionais, os estudantes também identificaram níveis reduzidos de colaboração.
Perante estes resultados, os representantes da comunidade educativa defenderam a necessidade de aprofundar a análise dos indicadores, tanto ao nível de cada estabelecimento de ensino como à escala regional, de modo a identificar as causas da evolução registada e definir estratégias de melhoria.
Orientação vocacional e novas medidas educativas em discussão
A orientação vocacional dos alunos do 9.º ano constituiu outro dos temas abordados durante a reunião, através da participação, por videoconferência, de Maria do Céu Taveira, professora associada aposentada da Escola de Psicologia da Universidade do Minho e especialista em Psicologia Vocacional e Desenvolvimento de Carreira.
A intervenção incidiu sobre as conclusões do trabalho desenvolvido com os psicólogos da CIM Médio Tejo, no âmbito de um projecto destinado a reforçar as competências dos alunos na gestão das suas trajectórias escolares e profissionais.
Foram igualmente apresentadas propostas para dar continuidade a esta experiência-piloto, integrada no Plano Estratégico Intermunicipal da Educação (PEDIME), instrumento que enquadra diversas medidas educativas desenvolvidas nos municípios da região.
Entre as novidades previstas para o presente ano lectivo encontra-se o alargamento do programa de correcção da acuidade visual e auditiva aos alunos do 4.º ano do ensino básico, reforçando a intervenção destinada à identificação e acompanhamento de dificuldades que possam interferir com o processo de aprendizagem.
No âmbito do programa de visitas de estudo, foram ainda apresentadas duas novas propostas que permitirão aos alunos conhecer o CHUDE – Centro Humberto Delgado, anteriormente designado Casa Memorial Humberto Delgado, e o Centro Paleontológico Nery Delgado, ambos situados no concelho de Torres Novas.
A reunião abordou também a importância da educação artística, através da medida “Mochila Cultural Médio Tejo”, integrada no PEDIME.
Cecília Correia, representante do Plano Nacional das Artes e coordenadora intermunicipal das regiões do Médio Tejo e do Oeste, destacou o papel das expressões artísticas no desenvolvimento das capacidades dos alunos e na construção da sua relação com o mundo.
A responsável sublinhou igualmente o contributo das artes para a aproximação entre a escola, os estudantes e as comunidades, defendendo a sua integração no percurso educativo.
O Plano Estratégico Intermunicipal da Educação do Médio Tejo é cofinanciado pelo programa Centro 2030, através do Fundo Social Europeu, e reúne um conjunto de medidas destinadas a promover o sucesso escolar e a reforçar a articulação entre os municípios e os diferentes agentes educativos da região.
