NAZARÉ – Sábado, 15 de Agosto, às 22.15 horas – Corrida à Portuguesa – 14ª Corrida “Farpas”. Cavaleiros: João Moura Caetano, Marcos Bastinhas e João Ribeiro Telles; Forcados: Amadores de Montemor e de Portalegre; Ganadaria: Manuel Veiga (520, 530, 480, 460, 510 e 480 kgs.); Director de Corrida: José Soares; Médica Veterinária: Dra. Maria Enes Oliveira; Tempo: Agradável; Entrada de Público: Lotação Esgotada.

Após as cortesias, teve lugar uma singela homenagem ao cavaleiro João Moura Caetano, pela comemoração do vigésimo aniversário da sua alternativa, e a Miguel Alvarenga, pelas bodas de ouro no jornalismo, sendo a maior parte da sua trajectória dedicada à Tauromaquia. Rui Bento desincumbiu-se eloquentemente dos discursos da praxe, muito calorosamente sublinhados pelas calorosas ovações do público que esgotava a lotação da Praça do Sítio.

Os toiros de Manuel Veiga estavam muito bem-apresentados e emprestaram bastante emoção ao espectáculo pela forma como investiram e como carregavam impondo o respeito aos toureiros e aos forcados, que tiveram noite afanosa.

João Moura Caetano esteve em noite de grande acerto técnico e com alguns pormenores estéticos muito apreciáveis. O seu primeiro oponente não investia com clareza, tinha de ser citado nos terrenos e nas distâncias ajustadas, o que fez toda a diferença, pois o marialva elvense logrou rubricar uma actuação muito meritória, colocando vistosa ferragem e evidenciando classe e senhorio, o que é atributo natural da figura do cavaleiro marialva. Frente ao quarto toiro da noite, Moura Caetano rubricou uma actuação de grande nível. O toiro teve mais alegria nas investidas, mas cobrava qualquer distracção, porém Moura Caetano desenhou uma bonita lide, cravou certeira ferragem em terrenos de muito compromisso, e voltou a conquistar o aplauso do público nazareno. 

Marcos Bastinhas é um caso à parte! Aprecie-se ou não o seu estilo de toureio, ninguém fica indiferente ao que faz na arena. Marcos está superiormente montado, é um cavaleiro com elevada técnica e com conhecimento, porém cultiva essencialmente o lado mais popularucho do toureio, com atitudes “copiadas” de seu pai, o sempre lembrado Joaquim Bastinhas, que apesar dessa vertente, que manteve em toda a sua trajectória, nos últimos anos toureava superiormente de acordo com a ortodoxia marialva. 

Marcos Bastinhas é um autêntico ídolo da Nazaré pelo que, satisfazendo o gosto deste público, desenha as lides mais alegres e dinâmicas, onde se notam aspectos de um domínio e de um valor inquestionáveis, a par de outras atitudes de diversão, assentes apenas na lógica do espectáculo que proporcionam. Respeitando absolutamente as suas opções estéticas, temos pena de não o ver mais vezes tourear “à séria”.

Nesta noite mágica, Marcos Bastinhas desenhou, especialmente na lide do quinto toiro, poderosas sortes frontais, plenas de emoção e de risco, pisou terrenos do máximo compromisso e “bregou” como deve ser, culminando a sua actuação com um vistoso par de bandarilhas.

João Ribeiro Telles teve a sorte de lhe tocarem dois toiros muito cumpridores, frente aos quais pôde evidenciar todos os notáveis argumentos técnicos e artísticos que o caracterizam, e que o público tanto aprecia. Em ambas as lides pautou o seu labor pelo rigor técnico, concedendo aos toiros a primazia de investida, indo-lhe recto encurtando distâncias e quarteando-se já nos terrenos do toiro para colocar a ferragem de modo irrepreensível. Mesmo nos ferros compridos, sorte em que que muitas vezes os cavaleiros se aliviam um bocadinho…

João Ribeiro Telles está a atravessar um precioso momento de forma e empolgou o público com duas lides que poderiam constituir um manual de boas práticas no que concerne ao toureio marialva, de tal modo tudo saiu perfeito e vibrante, pelo que o público nazareno o distinguiu com prolongadas ovações. Muito justas, deve dizer-se em abono da verdade!

As pegas nesta noite estavam cometidas aos Grupos de Forcados Amadores de Montemor e de Portalegre, os quais dignamente superaram as dificuldades dos toiros de Manuel Veiga.

Pelos Amadores de Montemor, em dia de menos acerto, foram solistas António Raimundo, que consumou a sua sorte ao segundo intento, Miguel Carolino, que apenas à terceira tentativa se fechou, depois de duas tentativas menos conseguidas, e Bernardo Batista, que pegou o quinto toiro da noite à terceira, depois de sofrer violentos derrotes nas duas tentativas anteriores.

Pelos Amadores de Portalegre, Daniel Ameixa apenas consumou a sua sorte à quarta tentativa, não tendo sido muito eficaz nas tentativas anteriores, Filipe Rodrigues, rubricou uma valorosa pega ao primeiro intento, e Ricardo Almeida, que também ao primeiro intento consumou uma pega perfeita e muito bem ajudada.

Boa intervenção dos peões de brega e da campinagem e direcção atenta e correcta de José Soares. Enfim, mais um sucesso para a empresa de Rui Bento e do jornalista Miguel Alvarenga.

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