A visita técnica realizada ontem ao Aqueduto dos Pegões, em Tomar, confirmou a existência de deficiências estruturais, levando o instituto público Património Cultural a avançar para um diagnóstico de engenharia rigoroso, disse fonte oficial à agência Lusa.

“A situação geral do monumento justifica a necessidade de aprofundamento das ações de conservação, sendo que a observação à vista desarmada não permite uma avaliação rigorosa, pelo que será necessário efetuar um diagnóstico de engenharia o mais rigoroso possível”, indicou fonte oficial do Património Cultural, em resposta enviada à Lusa.

Segundo a mesma fonte, esse diagnóstico deverá ser realizado por “uma instituição independente e tecnicamente habilitada”, sendo considerado a base fundamental para a decisão sobre futuras intervenções de conservação e restauro daquele monumento situado em Tomar.

A vistoria decorreu na tarde do dia 06 de Janeiro, na sequência de alertas para um eventual risco de colapso, e contou com a presença do presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), de membros do executivo e dos serviços técnicos municipais, da Proteção Civil e de uma delegação do Património Cultural, liderada pela vice-presidente do conselho diretivo e integrada por técnicos das áreas de arquitetura e engenharia.

De acordo com o instituto público, a situação mais sensível localiza-se num troço de grande desenvolvimento vertical, onde se regista intensa colonização vegetal e sinais de degradação.

Ainda assim, refere o Património Cultural que as monitorizações realizadas nos últimos anos pelos serviços municipais “não evidenciaram alterações significativas que permitam concluir existir um agravamento súbito do risco” para pessoas e bens.

Na sequência da visita técnica será agora produzido um relatório que reunirá a documentação disponível, cabendo às entidades envolvidas articular com a ESTAMO, responsável pelo imóvel, os procedimentos necessários à concretização do diagnóstico.

A visita ocorreu após um alerta lançado pelo vereador do PS na Câmara de Tomar José Delgado, que classificou o estado do aqueduto como “alarmante” e defendeu a adoção de medidas preventivas imediatas, incluindo restrições à circulação de pessoas.

O presidente da Câmara destacou hoje à Lusa que a prioridade é “garantir um diagnóstico técnico rigoroso antes de implementar qualquer medida preventiva, assegurando simultaneamente a segurança de visitantes e residentes”.

Tiago Carrão acrescentou ainda que o Aqueduto dos Pegões é um “património de enorme valor histórico, cultural e simbólico”, sendo este diagnóstico “fundamental para que possamos planear intervenções de forma segura e responsável, preservando o monumento para as gerações futuras.”

O Aqueduto dos Pegões, também designado Aqueduto do Convento de Cristo, foi construído entre os séculos XVI e XVII para abastecer de água o Convento de Cristo, tem cerca de seis quilómetros de extensão e está classificado como Monumento Nacional desde 1910.

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