O Governo admite decidir ainda este ano os pedidos de aumento de capacidade elétrica apresentados pelos promotores dos dois centros de dados previstos para Abrantes, que já têm autorização para ligação à rede.
«Os dois que estão aqui previstos já têm uma autorização para ligação à rede», afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, acrescentando que os promotores pediram posteriormente um aumento da capacidade atribuída.
As declarações foram prestadas aos jornalistas no Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, em Abrantes, no final de uma visita da governante ao concelho.
Questionada sobre quando poderá existir uma decisão relativamente ao aumento solicitado, Maria da Graça Carvalho respondeu que será «para breve», apontando a possibilidade de ocorrer ainda este ano.
A ministra explicou que a análise dos projetos terá em conta critérios relacionados com energia, água e impacto ambiental, num contexto de elevada procura por capacidade de ligação à rede elétrica.
Maria da Graça Carvalho acrescentou que será considerada a «situação especial de Abrantes», concelho diretamente afetado pelo encerramento, em 2021, da central termoelétrica a carvão do Pego e pelo processo de transição energética.
Um dos centros de dados é promovido pela EDC Port 1 nos antigos terrenos da RPP Solar, nas proximidades da antiga central, num investimento anunciado de sete mil milhões de euros (MME), a desenvolver em três fases, com a primeira apontada para entrar em funcionamento em 2028.
Em setembro de 2025, a Câmara de Abrantes reconheceu o empreendimento como Projeto Empresarial de Importância Municipal, tendo sido anunciada para a primeira fase uma potência de 300 megawatts (MW).
O segundo projeto é promovido pela Hyperion II Renewables Services e está previsto para uma área próxima da rotunda de Alvega e do Pego.
A Câmara deu em maio parecer favorável, por unanimidade, ao Pedido de Informação Prévia (PIP) do projeto, apresentado com 200 megavolt-ampere (MVA) de potência de ligação ao futuro Posto de Corte de Abrantes e entrada em operação apontada para 2029.
Os valores anteriormente anunciados para os dois projetos não correspondem necessariamente à capacidade agora solicitada, não tendo a ministra quantificado os pedidos de aumento que estão em análise.
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, defendeu, no final da visita de hoje, que o concelho tem condições para receber projetos de produção de energia, mas também grandes consumidores, aproveitando as infraestruturas existentes para captar investimento.
O autarca considerou que a capacidade disponível no ponto de injeção do Pego representa «um potencial incrível de atração» de novos projetos, incluindo produtores e consumidores de energia.
Também Maria da Graça Carvalho destacou que Abrantes reúne acesso à rede elétrica, água, território industrial e conhecimento técnico e de engenharia, quatro recursos que classificou como «escassos a nível mundial».
A dimensão dos dois centros de dados tem suscitado questões no concelho sobre os consumos de energia e água, impacto ambiental, criação de emprego e retorno económico dos investimentos.
O vereador do PSD João Morgado questionou recentemente o executivo municipal sobre estes impactos, enquanto a associação ambientalista Quercus alertou para os efeitos cumulativos dos dois projetos ao nível do consumo de energia e água, ocupação do solo e ambiente.
Valamatos tem defendido que Abrantes não deve abdicar da possibilidade de captar investimentos desta dimensão, desde que sejam cumpridas as exigências ambientais e exista equilíbrio na sua concretização.
Na visita de hoje, Maria da Graça Carvalho reconheceu que Abrantes sofreu «um golpe grande» com o encerramento da central a carvão e defendeu que o território seja compensado pelo impacto da descarbonização através da atração de novos investimentos.
