Europa de Dressage, na Hungria, onde alcançou o 12.º lugar numa das provas. A competição, realizada entre os dias 8 e 12 de Julho, marcou a estreia do jovem cavaleiro ao serviço da Selecção Nacional.
Em entrevista ao Correio do Ribatejo, o atleta partilha as emoções vividas no Europeu, a importância do apoio da família e revela as metas para o futuro.
Como descreve a sensação de representar Portugal num Campeonato da Europa?
Representar Portugal num Campeonato da Europa é um sentimento impossível de explicar por completo. É um enorme orgulho vestir as cores do nosso país e saber que estamos ali a competir com os melhores da Europa.
Quero deixar um agradecimento muito especial aos meus avós maternos, que sempre me acompanharam e apoiaram ao longo deste percurso. Mesmo estando hoje menos vezes com eles, sei que continuam a torcer por mim em cada conquista.
Nunca vou esquecer uma frase que o meu avô me disse numa fase menos boa: “Mostramos o nosso valor com as mãos e não com palavras”. Hoje posso dizer que tinha razão. O trabalho deu frutos.
Sendo natural de Santarém, uma terra com forte tradição equestre, de que forma a cidade influenciou a sua paixão pela Dressage?
Ter crescido em Santarém teve uma grande influência no meu percurso. A cidade respira cavalos e vive o mundo equestre de uma forma muito especial, o que fez com que estes animais sempre fizessem parte da minha vida, alimentando a minha paixão pela Dressage.
Como funciona a sua ligação diária com o cavalo? Qual o segredo para construir a harmonia exigida na Dressage?
Para mim, a ligação com os meus cavalos é o mais importante. Sei quando estão mais motivados, mais cansados ou quando alguma coisa não está bem, e isso ajuda-me a adaptar o trabalho a cada cavalo.
Acho que o segredo na Dressage não é obrigar o cavalo a fazer os exercícios, mas sim conseguir que ele queira trabalhar connosco. A confiança constrói-se todos os dias, com paciência, respeito e muita consistência.
Que papel tiveram a sua família, treinadores e amigos nesta caminhada até ao Campeonato da Europa?
Só tenho de agradecer a todos os que fizeram parte desta caminhada. À minha família e aos meus amigos, por todo o apoio, pelos sacrifícios e por nunca terem deixado de acreditar em mim.
Ao Mateus Abecassis, um enorme obrigado. Foi o meu porto seguro dentro e fora de pista, e um treinador extraordinário. Quero também agradecer à Tia Filipa, que esteve sempre presente, à MSA Equestrian Team, por todo o apoio e confiança que me deram para evoluir diariamente, e à minha mãe, por todos os conselhos antes e depois de entrar em pista.
Além do resultado alcançado, qual foi a maior lição e aprendizagem que trouxe desta experiência internacional?
A maior aprendizagem que trouxe desta experiência foi perceber que nunca deixamos de aprender. Competir com os melhores da Europa mostrou-me onde estou hoje, mas também onde ainda posso chegar. Fez-me perceber que ainda há muito para evoluir e isso dá-me ainda mais motivação para continuar a trabalhar.
Claro que nada disto teria sido possível sem a Firefly. É um privilégio competir com uma égua com tanta qualidade, que me ensina todos os dias e com quem espero continuar a crescer. Não podia estar mais orgulhoso do caminho que fizemos até aqui.
Com a concretização deste sonho, quais são os próximos objectivos e competições que se seguem no horizonte?
Estamos de volta a casa, na MSA Equestrian Team, focados nos próximos objectivos. O Campeonato Nacional é a grande meta até ao final do ano e, para o próximo ano, vou entrar no escalão U25, onde a exigência será ainda maior, com provas de Pequeno Grande Prémio.
Que mensagem ou conselho deixa a outros jovens cavaleiros de Santarém que sonham um dia chegar onde o Manuel chegou?
A todos os jovens cavaleiros de Santarém que sonham um dia chegar longe, digo para nunca desistirem dos vossos objectivos. Haverá dias difíceis, derrotas, sacrifícios e momentos em que parece que nada corre bem, mas é precisamente nesses momentos que se cresce.
Trabalhem todos os dias com dedicação, respeitem os cavalos, aprendam com cada erro e nunca deixem que ninguém vos diga que não são capazes. O talento ajuda, mas o trabalho, a disciplina e a persistência fazem a diferença.
