Imagem Ilustrativa

A empresa Gás da Terra defendeu esta segunda-feira, 22 de junho, a localização da unidade de biometano projetada para Árgea, em Torres Novas, garantindo que os impactos ambientais estão avaliados e controlados, apesar da contestação de moradores e da oposição manifestada pela autarquia.

“A melhor forma de responder à contestação não é desvalorizar receios, mas explicar o projeto, apresentar os dados técnicos disponíveis e reforçar mecanismos de diálogo e transparência”, afirmou à Lusa fonte oficial da empresa promotora do investimento naquele município.

O projeto, em consulta pública no âmbito do Licenciamento Único Ambiental, tem motivado críticas de moradores de Árgea, na União de Freguesias de Olaia e Paço, que alertam para impactos nos odores, qualidade do ar, tráfego pesado, recursos hídricos e qualidade de vida.

Também o presidente da Câmara de Torres Novas já manifestou reservas quanto à localização, considerando que o concelho “não tem aptidão” para acolher uma unidade desta natureza naquele local.

A Gás da Terra sustenta, contudo, que a unidade foi estudada desde o final de 2023, numa fase preliminar ligada à rede de gás da estação de Asseiceira, tendo o desenvolvimento formal avançado no último trimestre de 2024, após contactos com o município e a contratualização de terrenos.

A empresa refere ainda que foram analisadas alternativas em Torres Novas e em concelhos vizinhos, como Tomar e Vila Nova da Barquinha, tendo a localização atual sido considerada a mais adequada face à proximidade de matérias-primas, acessos, ligação à rede de gás e viabilidade técnica e económica.

Segundo a promotora, a unidade permitirá valorizar estrumes, chorumes e resíduos agrícolas num raio de 20 a 30 quilómetros, numa lógica de economia circular e produção de energia renovável.

“A valorização de efluentes agropecuários através de digestão anaeróbia é reconhecida na Europa como solução para gestão de resíduos, redução de emissões e devolução de nutrientes aos solos”, acrescentou.

Sobre as críticas dos moradores, a empresa admite a proximidade a habitações como uma preocupação “sensível”, mas considera que não é, por si só, incompatível com este tipo de tecnologia, desde que existam medidas de controlo adequadas.

Em matéria de odores, o projeto prevê receção de matérias-primas em edifícios fechados com sistemas de extração e tratamento de ar através de biofiltros, além de modelações de dispersão atmosférica incluídas no Estudo de Impacte Ambiental.

Quanto ao tráfego, a empresa estima cerca de 35 veículos pesados por dia em fase de exploração, entre as 08:00 e as 17:00, admitindo disponibilidade para ajustar horários e rotas em articulação com as autarquias.

No que respeita aos recursos hídricos, a Gás da Terra confirma que a área se encontra numa zona de proteção alargada associada à captação de Vale Tripeiro, situação avaliada em sede de estudo ambiental.

A unidade foi concebida para funcionar em circuito fechado, sem descargas de efluentes, com sistemas de impermeabilização, deteção de fugas e bacias de retenção para proteção de solos e aquíferos.

A empresa refere que, com as medidas previstas, o risco de contaminação é reduzido e controlável.

Face à contestação, a promotora afirma estar disponível para analisar contributos da consulta pública e ponderar medidas adicionais, embora sublinhe que alterações de fundo terão de ser avaliadas nos planos técnico, ambiental, económico e jurídico.

O processo de consulta pública decorre até 25 de junho, estando a decisão ambiental prevista para o último trimestre de 2026.

Caso obtenha parecer favorável, a empresa prevê iniciar a construção em 2027.

O investimento é estimado em 18 milhões de euros e prevê tratar cerca de 98 mil toneladas anuais de resíduos, produzindo 6,5 milhões de metros cúbicos de biometano.

“A transição energética só faz sentido se for feita com os territórios e com respeito por quem neles vive”, concluiu a fonte oficial da empresa, defendendo um projeto de energia renovável com responsabilidade ambiental e proximidade às comunidades.

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