A recuperação da Estrada Nacional 243 (EN243), em Alcanena, custou cerca de 320 mil euros, mas a reabertura prevista para hoje não restabelece a ligação integral, devido a outro corte em Porto de Mós.
Em resposta à agência Lusa, a Infraestruturas de Portugal (IP) confirmou que a intervenção ao quilómetro 28,800, entre Moitas Venda e Videla, representou um investimento superior aos 150 mil euros inicialmente apontados, tendo incluído trabalhos de reconstrução e estabilização da plataforma rodoviária.
A empreitada contemplou a substituição dos solos afetados por materiais granulares compactados, aplicação de geotêxtil de reforço, estabilização dos taludes e construção de um muro de gabiões, além da reposição da drenagem, pavimentação, guardas de segurança e sinalização.
Segundo a IP, a solução adotada pretende assegurar a estabilidade da plataforma, a segurança da circulação e uma maior resistência da infraestrutura perante fenómenos meteorológicos extremos.
A estrada, no concelho de Alcanena, distrito de Santarém, estava cortada desde fevereiro, depois de um deslizamento de terras provocado pelo mau tempo ter originado o colapso de parte da plataforma rodoviária.
A reabertura ao trânsito, entre os quilómetros 28,704 e 31,325, está prevista para hoje, pelas 16:00, após cerca de oito meses de interrupção, que obrigou as populações a utilizar percursos alternativos, incluindo uma estrada municipal sem condições adequadas para o aumento do tráfego.
Questionada pela Lusa sobre os motivos da demora na concretização da empreitada, a IP explicou que, após o colapso, foi necessário caracterizar os danos e definir as soluções de estabilização mais adequadas às condições do terreno.
A empresa acrescentou que foi igualmente necessário realizar um concurso público, ao abrigo da recuperação dos danos provocados pelas intempéries de 2026 no distrito de Santarém.
A empreitada arrancou apenas em 11 de setembro, depois de sucessivos adiamentos, tendo o início dos trabalhos sido inicialmente apontado para junho e, posteriormente, para agosto.
Em declarações anteriores à Lusa, o presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, considerou “claramente excessivo” o tempo decorrido até ao arranque da intervenção, criticando os sucessivos atrasos e os constrangimentos provocados às populações.
Apesar da reabertura em Alcanena, a EN243 continuará interrompida na zona de Alcaria, no concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, onde outro troço da estrada permanece encerrado devido aos danos causados pelas intempéries.
Sobre esta intervenção, a IP revelou agora à Lusa que a empreitada foi consignada em 07 de outubro e representa um investimento de cerca de dois milhões de euros.
O prazo de execução da nova empreitada é de 180 dias, estando a reposição integral da circulação prevista para abril de 2027.
A obra abrange três pontos da EN243, aos quilómetros 8,560, 9,100 e 9,200, na ligação entre Livramento e Alcaria.
A intervenção, adjudicada à empresa Construções Pragosa, compreende trabalhos de contenção e estabilização da estrada, numa zona afetada por deslizamentos de terras e danos estruturais que obrigaram à interrupção da circulação desde o início do ano.
O presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, já alertou para a complexidade técnica da empreitada e para os prejuízos causados pelo encerramento prolongado da estrada, nomeadamente nas deslocações das populações e na atividade económica local.
