A Universidade Politécnica de Santarém colocou 700 novos estudantes na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, mais 249 do que em 2025, enquanto a Universidade Politécnica de Tomar recebeu 240 alunos. Saúde, Educação, Gestão e Desporto estão entre as áreas com maior procura em Santarém. Em Tomar e Abrantes destacam-se Conservação e Restauro, Fotografia, Gestão de Recursos Humanos, Cinema e Média Digitais e Comunicação Social.

 

A primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior trouxe mais estudantes para as instituições públicas da região do que no ano passado. A Universidade Politécnica de Santarém colocou 700 novos alunos, contra 451 em 2025, enquanto a Universidade Politécnica de Tomar recebeu 240 estudantes, depois de no ano anterior ter colocado cerca de 160.

Em Santarém e Rio Maior, nove dos 23 cursos de licenciatura preencheram a totalidade das vagas nesta primeira fase. Em Tomar e Abrantes, a ocupação foi mais elevada em áreas como Conservação e Restauro, Fotografia, Gestão de Recursos Humanos, Cinema e Média Digitais e Comunicação Social.

Os resultados acompanham uma recuperação nacional das colocações no ensino superior público. Na primeira fase foram colocados 49.991 estudantes em todo o país, mais 6092 do que no ano anterior.

 

Santarém cresce 55 por cento num ano

A Universidade Politécnica de Santarém colocou 700 novos estudantes nas suas diferentes escolas, num total de 1046 vagas disponibilizadas.

O resultado representa um aumento de 55,2 por cento relativamente à primeira fase de 2025, quando tinham sido colocados 451 alunos.

A instituição conseguiu preencher nove das suas 23 licenciaturas: Enfermagem, Fisioterapia, Enfermagem Veterinária, Educação Básica, Educação Social, Gestão, Gestão de Marketing, Desporto, Condição Física e Saúde e Gestão das Organizações Desportivas.

A Universidade Politécnica de Santarém distribui a sua oferta por cinco escolas: Escola Superior Agrária de Santarém, Escola Superior de Educação de Santarém, Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, Escola Superior de Saúde de Santarém e Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

A instituição entrou neste concurso com mais vagas do que no ano anterior. Em 2026/2027 foram disponibilizados 1046 lugares, contra 1033 no ano lectivo anterior. A taxa de ocupação na primeira fase passou de 43,7 por cento em 2025 para cerca de 66,9 por cento este ano.

Saúde preenche todas as vagas

A Escola Superior de Saúde de Santarém ficou sem lugares disponíveis depois da primeira fase do concurso.

Foram colocados 97 estudantes para uma oferta inicial de 96 vagas.

Enfermagem recebeu 79 alunos para 78 lugares. A classificação do último colocado foi de 139 pontos, equivalente a 13,9 valores. No ano anterior, a nota do último colocado tinha sido de 119,8 pontos.

A principal novidade na oferta da escola é a licenciatura em Fisioterapia, aberta pela primeira vez este ano.

O novo curso iniciou actividade com as vagas preenchidas e registou a nota de entrada mais elevada da Universidade Politécnica de Santarém. O último estudante colocado apresentou uma classificação de 154 pontos, correspondente a 15,4 valores.

A abertura de Fisioterapia é também destacada pelo reitor da Universidade Politécnica de Santarém, João Moutão, sublinhando a renovação da oferta formativa em áreas consideradas emergentes.

 

Educação Básica volta a preencher lugares

Também a Escola Superior de Educação de Santarém registou cursos com a totalidade das vagas ocupadas.

Educação Básica voltou a preencher todos os lugares disponíveis, repetindo um resultado alcançado nos dois anos anteriores.

A oferta da licenciatura tinha sido reforçada, passando de 46 para 70 vagas em 2025.

Educação Social também terminou a primeira fase sem lugares disponíveis.

Noutras formações da escola ficaram vagas para a fase seguinte. Educação Ambiental e Turismo de Natureza manteve 31 lugares disponíveis e Produção Multimédia em Educação ficou com 16.

Enfermagem Veterinária entre os cursos mais procurados

Na Escola Superior Agrária de Santarém, Enfermagem Veterinária voltou a preencher a oferta.

Foram colocados 28 estudantes para 26 vagas inicialmente disponibilizadas. A classificação do último colocado fixou-se nos 142,5 pontos.

Zootecnia também registou um aumento do número de colocados relativamente ao ano anterior, passando de oito para 23 estudantes.

A escola mantém, contudo, vagas disponíveis em vários cursos para a segunda fase.

Agronomia ficou com 49 lugares por preencher, aos quais se juntam 16 vagas no regime pós-laboral. Qualidade Alimentar e Nutrição Humana dispõe ainda de 26 lugares, Biologia e Biotecnologia Alimentar de 11 e Zootecnia de 14.

 

Gestão e Marketing preenchem oferta

Na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, as licenciaturas em Gestão e Gestão de Marketing preencheram a totalidade das vagas disponíveis nesta fase.

Outros cursos mantiveram lugares para a segunda fase.

Contabilidade e Fiscalidade ficou com 13 vagas disponíveis, Gestão em regime pós-laboral com 16 e Negócios Internacionais com 44.

Engenharia Informática mantém 52 lugares disponíveis para novas candidaturas.

A Escola Superior de Gestão e Tecnologia reúne uma parte significativa da oferta formativa da universidade nas áreas da gestão, tecnologias e informática.

 

Três cursos cheios em Rio Maior

A Escola Superior de Desporto de Rio Maior colocou três licenciaturas entre os cursos sem vagas disponíveis depois da primeira fase.

Desporto, Condição Física e Saúde e Gestão das Organizações Desportivas preencheram todos os lugares.

Treino Desportivo registou também um aumento do número de colocados, passando de 62 estudantes no ano anterior para 76 em 2026.

Apesar desse crescimento, permanecem 34 vagas disponíveis no curso para a segunda fase.

Actividade Física e Estilos de Vida Saudáveis ficou com 18 lugares disponíveis e Desporto de Natureza e Turismo Activo com 17.

Primeira geração da Universidade Politécnica

Os resultados são conhecidos poucas semanas depois de o antigo Instituto Politécnico de Santarém ter adoptado a designação de Universidade Politécnica de Santarém. A mudança entrou em vigor a 1 de Agosto.

João Moutão, que passou a assumir o cargo de reitor, considera que a alteração representa uma nova etapa no percurso da instituição e tem sublinhado o reforço da investigação, da oferta formativa e da ligação ao território.

O responsável refere que a transformação da instituição vai além da mudança de nome e resulta do caminho desenvolvido nos últimos anos.

O reitor destaca o crescimento da investigação realizada na universidade, a participação de docentes e estudantes em unidades acreditadas e a preparação dos primeiros doutoramentos.

A instituição integra também a ACE²-EU, uma Universidade Europeia que reúne instituições de nove países e é coordenada a partir de Santarém.

João Moutão aponta ainda a criação de novos cursos como uma das componentes deste processo e destaca precisamente Fisioterapia, que abriu este ano e obteve a classificação de entrada mais elevada da instituição.

 

Residências e novos investimentos

A Universidade Politécnica de Santarém tem igualmente em curso vários investimentos nas suas instalações.

Segundo João Moutão, foram inaugurados este ano um novo auditório e um Living Lab e estão a ser renovadas salas de aula, equipamentos e mobiliário das diferentes escolas.

A instituição concluiu duas residências de estudantes, tem uma terceira em construção e mantém outras unidades em processo de reabilitação.

Na Escola Superior Agrária de Santarém está também a avançar o Santarém AgroHub, um centro de inovação agroalimentar com um investimento próximo dos cinco milhões de euros.

A presença territorial da universidade estende-se ainda a outros concelhos através dos cursos técnicos superiores profissionais.

Além de Santarém e Rio Maior, a instituição tem actividade em Abrantes, Alcobaça, Azambuja, Cartaxo, Mafra, Óbidos, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.

João Moutão tem defendido também as condições de Santarém e Rio Maior para acolher estudantes, destacando a dimensão das duas cidades, a proximidade entre escolas, serviços e residências e as ligações à Área Metropolitana de Lisboa.

O reitor sustenta que a localização fora da capital pode hoje constituir uma vantagem, nomeadamente devido aos custos de alojamento e transportes sentidos em Lisboa.

Reitor destaca confiança dos candidatos

João Moutão associa ainda os resultados desta primeira fase à confiança dos estudantes e das famílias na instituição.

“Na 1.ª fase do concurso nacional de acesso, 700 jovens escolheram a Universidade Politécnica de Santarém: mais 249 do que no ano passado, um crescimento de 55% quando as colocações no país cresceram 14%. Nove dos nossos 23 cursos esgotaram”, refere o reitor.

Para o responsável, estes alunos constituem a primeira geração a entrar já no novo quadro institucional da Universidade Politécnica de Santarém.

João Moutão considera que o resultado aumenta também a responsabilidade da instituição no acolhimento e acompanhamento dos estudantes e na qualidade da formação ministrada.

O reitor chama ainda a atenção para a existência de vagas disponíveis na segunda fase em áreas como agricultura, alimentação, ambiente, desporto, gestão e tecnologias.

 

Tomar coloca 240 estudantes

Também a Universidade Politécnica de Tomar registou um aumento do número de colocados relativamente ao ano anterior.

A instituição recebeu 240 estudantes para 479 vagas na primeira fase do concurso.

Em 2025 tinham sido colocados cerca de 160 alunos.

A taxa de ocupação global ronda os 50 por cento.

Os novos estudantes distribuem-se pelas três escolas da instituição: Escola Superior de Gestão de Tomar, Escola Superior de Tecnologia de Tomar e Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.

A Escola Superior de Tecnologia de Tomar recebeu o maior número de alunos, com 118 colocados para 241 vagas.

Na Escola Superior de Gestão de Tomar foram colocados 76 estudantes em 128 lugares.

Em Abrantes, a Escola Superior de Tecnologia recebeu 46 alunos para 110 vagas.

 

Conservação e Restauro esgota vagas

Na Escola Superior de Tecnologia de Tomar, Conservação e Restauro preencheu a totalidade das 32 vagas colocadas a concurso.

Fotografia ficou igualmente próxima da lotação, com 26 estudantes colocados para 28 lugares.

Design e Tecnologia das Artes Gráficas recebeu 31 estudantes para uma oferta inicial de 45 vagas.

Noutras formações da escola a procura foi mais reduzida.

Engenharia Informática terminou esta fase com 46 das 60 vagas ainda disponíveis, correspondendo a 14 estudantes colocados.

Engenharia Electrotécnica e de Computadores manteve 27 dos 30 lugares disponíveis.

Gestão da Edificação e Obras ficou com 18 vagas em 20 e Tecnologia Química com 12 em 16.

Engenharia Civil terminou a primeira fase com quatro lugares disponíveis numa oferta de dez vagas.

 

Recursos Humanos lidera Gestão

Na Escola Superior de Gestão de Tomar foram colocados 76 estudantes para 128 lugares.

Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional foi o curso com maior número de novos alunos, com 31 colocados.

Seguiu-se Gestão de Empresas, com 27 estudantes.

Contabilidade, Gestão de Empresas e Turismo e Gestão do Património Cultural mantêm vagas disponíveis para a segunda fase.

Gestão de Recursos Humanos apresentou a maior taxa de ocupação entre as licenciaturas da escola.

 

Cinema enche em Abrantes

Na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes foram colocados 46 estudantes para 110 vagas.

Cinema e Média Digitais preencheu os 18 lugares disponíveis.

Comunicação Social: Jornalismo e Comunicação Empresarial recebeu 25 estudantes para 35 vagas.

Os dois cursos somam 43 dos 46 alunos colocados na escola nesta primeira fase.

Informática e Tecnologias Multimédia recebeu três estudantes para 25 lugares.

Engenharia Mecânica não registou qualquer colocado nas 16 vagas disponibilizadas e Computação e Logística também ficou sem alunos colocados nesta fase, mantendo igualmente os 16 lugares iniciais disponíveis.

No total, ficaram 64 vagas disponíveis em Abrantes para a fase seguinte.

 

Mais alunos também a nível nacional

A evolução registada nas instituições da região ocorre num ano em que aumentou o número de estudantes colocados no ensino superior público português.

Na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso foram colocados 49.991 alunos, mais 6092 do que em 2025, correspondendo a um crescimento de 13,9 por cento.

O número de candidatos válidos atingiu 60.513.

Foram disponibilizadas 56.228 vagas nesta primeira fase e ficaram 6639 lugares por preencher.

A taxa nacional de ocupação das vagas atingiu 88,9 por cento.

Mais de metade dos estudantes colocados, 53,6 por cento, entrou na primeira opção indicada na candidatura.

Quando consideradas as três primeiras opções, a percentagem sobe para 84,5 por cento.

 

Segunda fase ainda tem vagas na região

Os resultados da primeira fase não correspondem ainda ao número final de novos estudantes que irão frequentar as instituições no ano lectivo de 2026/2027.

A segunda fase do Concurso Nacional de Acesso permite preencher parte das vagas que ficaram disponíveis depois das primeiras colocações.

Tanto a Universidade Politécnica de Santarém como a Universidade Politécnica de Tomar mantêm cursos com lugares disponíveis.

Em Santarém, João Moutão tem chamado particularmente a atenção para as vagas existentes nas áreas da agricultura, alimentação, ambiente, desporto, gestão e tecnologias.

Em Tomar e Abrantes há também lugares disponíveis em diferentes licenciaturas, nomeadamente nas áreas de engenharia, informática, gestão e tecnologias.

A entrada de estudantes nas instituições não se limita igualmente ao Concurso Nacional de Acesso.

Existem outros regimes e concursos, como os destinados a maiores de 23 anos, titulares de cursos técnicos superiores profissionais, estudantes internacionais e candidatos que pretendem mudar de instituição ou curso.

 

ISLA disponibiliza 122 vagas

No ensino superior privado, o ISLA Santarém disponibilizou 122 vagas no regime geral de acesso para o ano lectivo de 2026/2027.

O número representa uma redução relativamente às 149 vagas disponibilizadas no ano anterior.

O acesso ao ensino superior privado não é feito através do Concurso Nacional de Acesso utilizado pelas instituições públicas.

Os processos de candidatura e colocação decorrem através de concursos institucionais organizados pelos próprios estabelecimentos, razão pela qual os respectivos resultados não surgem agregados nas listas de colocação da Direcção-Geral do Ensino Superior.

O número definitivo de novos estudantes que irão frequentar o ensino superior na região só ficará, assim, consolidado depois de concluídas as restantes fases e regimes de acesso.

Filipe Mendes

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