O Núcleo de Ex-Marinheiros da Armada do Concelho de Almeirim comprou por 90 mil euros as instalações onde funciona há mais de três décadas, numa operação financiada por associados para evitar perder o espaço e o espólio ligado à história naval.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da direção, José Sardinheiro, afirmou que a decisão surgiu depois de os proprietários terem colocado o imóvel à venda, obrigando a associação a optar entre adquirir o espaço ou abandoná-lo.
“Meteram o espaço à venda e tínhamos de comprar ou sair”, afirmou.
A sede, situada num antigo edifício que funcionou como adega, foi adaptada pelos associados ao longo dos anos, num investimento que, segundo José Sardinheiro, ultrapassou os 30 mil euros.
“Quando entrámos para ali, aquilo era uma adega” e “investimos ali mais de 30 mil euros”, disse o dirigente, sublinhando que as instalações são frequentemente apontadas por visitantes de outras associações congéneres como uma das melhores sedes de núcleos de ex-marinheiros do país.
Além de servir de ponto de encontro para cerca de uma centena de associados, o edifício alberga um conjunto de materiais relacionados com a história da instituição e com a ligação dos seus membros à Marinha Portuguesa.
No espaço estão guardadas fotografias, troféus, ofertas trocadas com outros núcleos de ex-militares, documentação, peças evocativas da vida naval e dois barcos utilizados em atividades desenvolvidas pela associação ao longo dos anos.
Segundo José Sardinheiro, o núcleo procurou também transformar o espaço num local de preservação da memória de figuras e episódios ligados à história marítima portuguesa e ao concelho de Almeirim.
Entre os materiais que o dirigente considera mais relevantes estão os painéis e documentação dedicados ao vice-almirante Ernesto Vasconcelos, natural de Almeirim e apontado pela associação como uma das figuras mais marcantes da história do concelho.
“Temos uma série de quadros ali que explicam o que é que ele foi e o que é que fez durante parte do currículo dele”, referiu.
Ao longo de mais de três décadas, a associação reuniu igualmente dezenas de recordações dos encontros nacionais de ex-marinheiros em que participou, incluindo troféus, lembranças comemorativas e materiais promocionais associados ao concelho ribatejano.
“Vamos mantendo” esse património, afirmou o dirigente, explicando que muitos dos objetos expostos testemunham a atividade desenvolvida pelo núcleo desde a sua fundação, em 1994.
José Sardinheiro defendeu que o espólio preservado transcende o interesse exclusivo dos associados e constitui um testemunho da presença de antigos militares da Armada na região.
“Isso para nós é importante”, afirmou, defendendo a necessidade de garantir a preservação futura desses materiais.
A associação continua a defender que o imóvel possa vir a integrar o património municipal, de forma a garantir a preservação futura da sede e do espólio ali reunido ao longo de mais de três décadas.
Segundo José Sardinheiro, a questão foi abordada quer junto do atual executivo camarário, quer anteriormente com o ex-presidente da Câmara de Almeirim, Pedro Ribeiro.
O dirigente adiantou que chegaram a decorrer conversações sobre a utilização partilhada do espaço por outras coletividades do concelho, numa solução que permitiria “rentabilizar as instalações”, embora o processo não tenha avançado.
O dirigente explicou ainda que a aquisição feita pela associação foi possível graças ao contributo de um grupo de associados e considerou que o imóvel reúne condições para servir não apenas o núcleo, mas também outras coletividades locais.
“É pena realmente aquela sede estar só para nós, porque tem condições e não há necessidade de cada coletividade ter uma sede própria”, sustentou.
Fundado em 1994, o Núcleo de Ex-Marinheiros da Armada do Concelho de Almeirim reúne cerca de uma centena de associados e promove regularmente encontros e iniciativas de convívio ligadas à preservação das tradições da Marinha Portuguesa.
