De 11 a 14 de junho, o Festival Literário de Alcanena propõe quatro dias de programação gratuita, cruzando literatura, música, oralidade, memória local e participação comunitária.
A vila de Alcanena vive mais uma edição do FALA — Festival Literário de Alcanena no próximo mês de junho. Mais do que um festival literário centrado no livro, a iniciativa propõe uma programação “construída a partir da identidade e das vivências do território”, anunciou hoje a organização do evento.
Promovida pelo Município de Alcanena, com organização do Gerador e entrada gratuita, a 5.ª edição do festival reforça a sua vocação comunitária, envolvendo habitantes de Alcanena em várias iniciativas que cruzam literatura, oralidade, música, pensamento e memória coletiva.
Entre os destaques da programação estão as conversas “FALA com”, que trazem ao festival alguns dos nomes mais relevantes da literatura portuguesa contemporânea, como Isabela Figueiredo, Valério Romão e João Tordo.
O programa inclui ainda o debate “Não fica nada por FALAr”, com o escritor Rui Zink e o humorista Hugo Van Der Ding sobre os temas menos falados da literatura, encontros com os jornalistas Miguel Carvalho e Isabel Nery e momentos de proximidade com autores emergentes.
A música e a palavra cruzam-se em vários momentos do festival. O músico Noiserv é o convidado do “Clube de Leitura de Discos”, um formato original onde vai revelar histórias e processos criativos por detrás das suas canções. Já B Fachada sobe ao palco no dia 13 de junho para apresentar um concerto onde literatura e música se encontram num registo singular. A compositora Gisela Mabel encerra o primeiro dia do festival, enquanto a atriz Carla Chambel e o pianista Raul Pinto protagonizam, a 12 de junho, um recital dedicado à poesia de Eugénio de Andrade.
A programação permanente inclui, entre outras propostas, a Feira do Livro, com a participação da livraria Ponte do Raro, das editoras Orfeu Negro e Relógio d’Água e da livraria Tinta nos Nervos, a exposição fotográfica “Livros da nossa gente”, que reúne retratos de habitantes locais ou a “Sala do Eco”, onde é possível ouvir excertos de obras literárias pela voz da atriz Inês Castel-Branco.
“A ligação ao território é uma componente identitária da programação”, afirma a organização do festival que adianta que o minderico, património linguístico singular da região, estará em destaque através da apresentação do clássico “O Principezinho” em minderico, de um workshop dedicado a esta variante linguística e de um debate sobre a relação entre língua, território e identidade, colocando em diálogo o minderico e o mirandês.
Por sua vez, nos encontros “FALA Daqui”, habitantes locais como a professora Manuela Henriques e Augusto Pereira, vice-presidente da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do concelho de Alcanena, contam histórias ao almoço no Snack Bar Pérola, dando palco a episódios e vivências partilhadas na Vila.
O festival aposta ainda na participação ativa do público, através de oficinas e experiências participativas, como as oficinas de Escrita Criativa e Encadernação, a instalação “Pequenos Ecos da Literatura” de Raquel Marinho (O Poema Ensina a Cair) onde o público poderá trocar postais com frases e versos literários, ou a iniciativa “Filhos lêem para os pais”, onde os papéis se invertem e as histórias ganham vida pela voz dos mais novos.
