Francisco Presúncia Bonifácio faleceu, na passada quinta-feira, dia 15, no Hospital Distrital de Santarém, aos 95 anos. Chico Galiza, como era conhecido, nasceu em Alpiarça a 3 de Junho de 1928. Ficou órfão de mãe quando tinha apenas quatro anos. 

Concluída a escola primária, vai trabalhar para o campo, tal como era habitual naquelas épocas para a maioria das crianças. O seu primeiro trabalho foi plantar arroz no Paúl da Gouxa, enterrado na lama até à cintura. Seguiram-se outros trabalhos como andar à frente das mulas ou ser aguadeiro.

Aos 18 anos ingressou no MUD Juvenil e, um ano depois, filia-se no PCP. Rapidamente se torna um destacado militante no concelho de Alpiarça. Faz parte do seu comité local quando, em Outubro de 1959, perante uma onda de prisões, «mergulha» na clandestinidade.

Viverá até 1974 na clandestinidade (a partir de Abril de 1960, com a sua companheira Manuela Almeida, a que se juntará a sua filha Noémia). Ao longo desse período usará 7 identidades falsas e viverá em 15 localidades diferentes. Entre as funções mais relevantes, destaque para o funcionamento de uma tipografia clandestina do PCP na sua residência (em Odivelas) e, a participação na ARA (Acção Revolucionária Armada).

Ao longo da sua vida, 16 anos foram passados nas mais duras condições de clandestinidade, tendo conseguido sempre iludir as forças repressivas, que intensamente o procuraram.

Apos o 25 de Abril, regressa a sua terra natal, Alpiarça, onde manteve sempre uma estreita ligação ao Partido Comunista que, em comunicado, destaca “o seu exemplo enquanto lutador por uma sociedade mais justa e igualitária, progressista e livre da exploração, perdurará na memória dos alpiarcenses e de todos os democratas portugueses”.

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