Fernanda Narciso inaugurou no passado sábado, ao final da tarde, o seu novo trabalho ‘A Casa’ que pode ser visitado na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém, até ao próximo dia 10 de Dezembro.

Trata-se de uma exposição de pintura e instalações que segundo a autora “serve para chamar a atenção para um problema mundial, que é o facto de meio mundo não ter casa”.

A inauguração contou com as presenças da vice-presidente da Câmara de Santarém, Inês Barroso, bem como do vereador Nuno Domingos, para além de muitos amigos que quiseram marcar presença.

Para o historiador Luís Mata, que assina um texto no catálogo da exposição a convite da autora, ‘A Casa’ trata-se de uma “correlação feliz, pois embora uma se perfile no centro do mundo exterior e a outra se plasme no recôndito do interior, ambas – Casa e Arte – invocam refúgios antropocêntricos de ser (-se) e de sentir(-se). Ambas – Casa e Arte – são também santuários e receptáculos de criação, portais de ligação axial aos três mundos (celeste, terrestre e infernal), reconstituições de universos alternativos”, considera.

“Nos trabalhos apresentados são bem evidentes as idiossincrasias da autora: o frenesim criativo; o talento, paulatinamente conquistado, do gesto; o tema heterodoxo; a composição insólita e irreverente. Mas igualmente a paixão arrebatadora das suas mundividências, o cunho das suas memórias pessoais, a marca indelével do seu ente social. Através deles abre-se-nos, impudicamente, as portas da sua intimidade, num convite que é um permanente desafio de partilha”, acrescenta Luís Mata.

Para o historiador, “em toda a obra perpassa, quase diríamos inconscientemente, uma certa geomancia, na medida em que são sistematicamente invocadas as influências que permitem à artista harmonizar o quadro natural com o seu quadro pessoal/familiar, seja ele o leito paterno, os revestimentos cerâmicos das cozinhas das tias e das avós, ou as bugigangas acumuladas nas gavetas sem razão aparente. É como se a estética dos objectos quotidianos derivasse da harmonia cósmica e da capacidade de a sentir e interpretar, conjugando-a com a paz interior. Nas suas próprias palavras: ‘a Natureza é a nossa primeira casa, a nossa primeira cama’”, reflecte.

Por sua vez, Fernanda Narciso explica que ao principiar o acto criativo que a levou a produzir as pinturas e instalações que agora mostra na exposição, percebeu que “a minha casa será sempre um projecto incompleto devido à importância do tema”.

“Depois foi só começar, desenhar, fazer pastas, amassar bem a argila, bater madeiras, tudo ao som do meu querido Rachmaninoff e obrigado pela brutalidade, pela confiança, ao mesmo tempo pelo silêncio da música que nos deixou. Obrigado ao meu querido Corona que deixou em casa, a fazer isto, dias e dias a fio… O meu ateliê parecia uma cozinha…”, conclui.

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