Foto: Festival Arado

A aldeia de Pias, em Ferreira do Zêzere, recebe, entre 07 a 12 de julho, a segunda edição do Arado – Festival de Dança e Artes Performativas, iniciativa que reforça a aposta na criação artística contemporânea em contexto rural.

Ao longo de cinco dias, o festival, organizado pela associação cultural Madrasta Dance, reúne artistas, investigadores, habitantes locais e público em geral numa programação que integra residências artísticas, espetáculos, oficinas, laboratórios, conversas e momentos de convívio, procurando aproximar a criação artística da comunidade e da paisagem envolvente.

Em declarações enviadas à Lusa, a diretora artística, Clara Marchana, afirma que esta segunda edição “representa um passo importante na consolidação do projeto” em Pias, Ferreira do Zêzere, onde a associação tem a sua sede.

“O Arado afirma-se como um festival de pequena escala dedicado à dança e às artes performativas, profundamente ligado ao território onde acontece”, refere, acrescentando que o objetivo passa por criar “espaços de encontro, escuta e reflexão entre criação artística, comunidade e paisagem”.

Depois da estreia, em 2024, durante apenas dois dias, o festival cresce agora para cinco jornadas e desenvolve-se em torno de quatro eixos curatoriais – Escuta, Tempo das Coisas, Corpo e Território, e Comunidade e Processos – que orientam toda a programação.

Segundo a organização, o Arado pretende afirmar a criação artística como “uma prática relacional, ecológica e situada”, valorizando “a atenção, a lentidão e a construção de relações entre pessoas, práticas e lugares”.

As atividades decorrem em diferentes espaços de Pias e de Ferreira do Zêzere, incluindo um laboratório de criação em coreocine orientado por Alex Pachón, oficinas de dança, conversas com artistas e investigadores e vários espetáculos de entrada livre.

Entre os destaques do programa figuram o espetáculo “Sahasrara”, de Maria Fonseca, no dia 10, no pátio da Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Zêzere, e, no dia seguinte, “Água traz, água leva”, criação de Beatriz Pereira e Francisco Semedo, seguindo-se a apresentação pública de “Molusco”, novo projeto de investigação artística concebido por Clara Marchana, e um concerto da cantautora Inês Ripamonti.

O festival integra ainda duas edições das “Conversas do Arado”, concebidas e moderadas por Clara Marchana, que reúnem artistas e investigadores para refletir sobre criação contemporânea, corpo, território, ecologia e comunidade.

Na nota de apresentação, Clara Marchana afirma que o Arado “nasce do desejo de criar tempo para escutar”.

“Escutar o corpo, os outros, o território e aquilo que ainda não tem forma. Tal como o gesto de arar a terra não produz frutos de imediato, também os processos artísticos exigem tempo, atenção e disponibilidade para acolher o que emerge”, refere.

A responsável acrescenta que o festival procura valorizar “as paisagens exteriores, mas também as paisagens interiores que se transformam quando caminhamos, dançamos, conversamos e permanecemos juntos”.

“O Arado é, acima de tudo, um convite a cultivar presença”, conclui.

Criada em 2018, a Madrasta Dance transferiu a sua atividade para a aldeia de Pias em 2023, mudança que esteve na origem do festival, concebido como um projeto de descentralização cultural e de aproximação entre a dança contemporânea e os territórios de baixa densidade.

O programa completo pode ser consultado na página oficial do festival no Instagram (@arado.festival).

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