A 45.ª edição do Festival Nacional de Gastronomia foi inaugurada esta quinta-feira, 22 de Outubro, na Casa do Campino, em Santarém, numa cerimónia presidida pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes. A valorização da produção agrícola, a defesa da identidade gastronómica portuguesa e a ligação entre alimentação, ciência e inovação marcaram as intervenções do governante e do presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite.
Santarém voltou a abrir as portas ao Festival Nacional de Gastronomia, que celebra este ano 45 edições e decorre até 1 de Novembro. Na cerimónia inaugural, o presidente da Câmara Municipal, João Teixeira Leite, destacou a dimensão nacional do certame e o seu contributo para a afirmação da cidade como Capital da Gastronomia.
“O Festival Nacional de Gastronomia é de Portugal”, afirmou o autarca, sublinhando que o evento representa a diversidade gastronómica das regiões portuguesas e constitui o principal palco da estratégia municipal de valorização da gastronomia ao longo do ano.
João Teixeira Leite salientou o papel dos restaurantes, cozinheiros e produtores locais, que considerou parceiros fundamentais desta estratégia, defendendo que a gastronomia deve ser entendida também na sua ligação à agricultura, à alimentação saudável e à qualidade de vida.
O autarca aproveitou a presença do ministro para destacar os projectos que o município está a desenvolver nas áreas da ciência, tecnologia e inovação, referindo um investimento de cinco milhões de euros, já em execução na Escola Superior Agrária de Santarém. Segundo explicou, a estratégia pretende aproximar a produção agrícola da investigação, da alimentação, da saúde e da longevidade, áreas que deverão ganhar maior expressão nas próximas edições do festival, nomeadamente através de debates e iniciativas de divulgação científica.

Ministro destaca agricultura como garantia de segurança alimentar
Na sua intervenção, José Manuel Fernandes destacou a importância da agricultura para a economia nacional, a coesão territorial e a segurança alimentar, defendendo uma maior valorização dos agricultores e da produção portuguesa.
“A agricultura é o primeiro sector”, afirmou o ministro, explicando que prefere esta designação à expressão tradicional de sector primário, por considerar que a actividade agrícola está na base de outras áreas económicas, incluindo o turismo e a gastronomia.

O governante recordou o papel desempenhado pelos agricultores durante a pandemia de Covid-19, período em que, apesar das dificuldades, foi possível assegurar o abastecimento alimentar da população.
José Manuel Fernandes defendeu igualmente que os fundos europeus devem contribuir para reduzir as assimetrias regionais, criar condições para a fixação das populações e reforçar a competitividade dos territórios. Associou ainda a actividade agrícola à sustentabilidade ambiental, à protecção civil e à prevenção dos incêndios rurais.
O ministro salientou a importância da investigação e da inovação para responder aos desafios das alterações climáticas, nomeadamente através do desenvolvimento de culturas mais resistentes a novas pragas e doenças. Destacou também a necessidade de investir na disponibilidade de água para a agricultura.
Referindo-se à capacidade produtiva nacional, apontou o desempenho das exportações portuguesas de vinho, azeite, frutas e legumes como exemplos da relevância económica do sector agro-alimentar.
Gastronomia como património e identidade
José Manuel Fernandes valorizou ainda a dieta mediterrânica, os produtos tradicionais e o trabalho das confrarias gastronómicas na preservação das receitas, das raças autóctones e dos produtos com denominação de origem protegida e indicação geográfica protegida.
Para o governante, o Festival Nacional de Gastronomia representa também uma oportunidade para celebrar a diversidade cultural portuguesa e reconhecer o trabalho dos agricultores, produtores e profissionais da restauração.
Na parte final da intervenção, defendeu a cooperação entre o Governo, as autarquias, as instituições e os agentes económicos, considerando que o desenvolvimento dos territórios depende da conjugação de esforços e do diálogo entre diferentes entidades.
A cerimónia inaugural terminou com uma visita ao recinto da Casa do Campino, onde, durante onze dias, restaurantes, produtores, chefs e confrarias dão a conhecer a diversidade da gastronomia portuguesa, num programa que reúne cozinha tradicional, demonstrações culinárias, provas de produtos regionais e animação cultural.
