Mayra Andrade e Iolanda são dois dos principais nomes da sexta edição do Festival Vapor, que decorre em 03 e 04 de outubro, no Entroncamento, cruzando música, teatro, cinema, literatura e cultura ‘steampunk’ com o património ferroviário.
“Queremos um festival internacional, sem deixar de ser profundamente marcado pelo lugar onde acontece”, disse hoje à agência Lusa a organização do Vapor, que pretende reforçar a ligação ao Médio Tejo e prolongar progressivamente a presença da iniciativa para além dos dias de programação.
O festival realiza-se no Museu Nacional Ferroviário, situado no Entroncamento, distrito de Santarém, e apresenta este ano 12 concertos e espetáculos, oito curtas-metragens, cinco atividades ligadas ao universo ‘steampunk’, duas oficinas, uma feira do livro e uma feira de artesanato com cerca de 25 artesãos.
Além de Mayra Andrade e Iolanda, o cartaz musical inclui Rita Vian, Fogo Fogo, Stereossauro, xtinto, Motherflutters, Mantra, Hermanas Sisters e Arapucagongon, numa edição que mantém o mote “Fantasiar o Futuro”.
Nas artes performativas, Cláudia Gaiolas apresenta “Antiprincesa Clarice Lispector”, dedicado à vida e obra da escritora brasileira, enquanto o Planos Film Fest leva à Carruagem Auditório duas sessões internacionais de curtas-metragens vencedoras de edições anteriores.
A cultura ‘steampunk’ – com base no subgénero da ficção científica que pressupõe um desenvolvimento tecnológico a vapor, desde o passado – uma das componentes identitárias do festival desde a sua criação, volta a estar representada através da Liga Steampunk, com a Fábrica de Autómatos, jogos de tabuleiro e Steamsnap, enquanto a programação inclui ainda oficinas e atividades dirigidas às famílias.
Para a organização, esta é uma edição “de continuidade, mas também de mudança de escala”, com a intenção de consolidar o trabalho desenvolvido desde as primeiras edições e criar uma presença cultural mais continuada no território.
“Queremos que o Vapor deixe progressivamente de ser um acontecimento pontual e passe a ter uma presença mais continuada no território, através de projetos que envolvam diferentes comunidades, escolas, associações e artistas”, afirmou.
A estratégia pretende contribuir para “a criação de uma cena artística e cultural mais forte na região”, partindo do Entroncamento, considerado pela organização “historicamente, uma grande porta de entrada do Médio Tejo”, e reforçando simultaneamente a projeção exterior do festival.
O Museu Nacional Ferroviário é também assumido como parte da identidade do Vapor e não apenas como o espaço onde decorre, com o património, conteúdos e equipamentos ferroviários integrados na própria experiência do festival.
“A ideia é que quem vem ao Vapor não venha apenas assistir a concertos ou espetáculos, mas também descubra o Museu e perceba a dimensão cultural, social e económica daquele património”, salientou a organização.
Depois de ter ultrapassado os 5.000 espectadores em 2025, a organização considera “realista, mas também ambicioso” voltar a atingir esse número este ano, apesar de o festival passar de três para dois dias.
Entre 50% e 60% dos espectadores das últimas edições são provenientes do Médio Tejo, segundo estimativas da organização, que pretende manter a capacidade de mobilização regional e, simultaneamente, continuar a atrair visitantes de fora.
A programação procura igualmente funcionar como montra da criação artística da região, incluindo projetos como Mantra, do Entroncamento, Motherflutters, de Tomar, e xtinto, de Ourém, a par de artistas nacionais e internacionais.
Organizado pela Fundação Museu Nacional Ferroviário e pelo Município do Entroncamento, que partilham o financiamento, o Vapor tem em 2026 um orçamento de cerca de 140 mil euros e conta, entre outros parceiros, com a Fundação “la Caixa”, que apoia o plano de acessibilidades.
