O Festival Internacional de Teatro e Artes para a Infância e Juventude (FITAIJ) está de regresso para a sua 21.ª edição com a promessa de levar a arte e a cultura às escolas e freguesias do concelho de Santarém. De 29 de Setembro a 4 de Outubro, o evento traz até à região propostas estéticas marcantes e espectáculos menos comuns, contando ainda com a presença de seis companhias artísticas, oriundas de cinco países.
Em entrevista ao Correio do Ribatejo, Nelson Ferrão, membro da organização do festival, detalha a programação internacional arrojada e reforça o compromisso do evento com a descentralização cultural e a conquista do público jovem.
Quais são os principais destaques da programação do FITAIJ 2026 e como foi feita a selecção dos espectáculos?
A escolha resulta da nossa análise contínua ao longo do ano, em visitas a festivais e dos contactos que vamos estabelecendo. É aí que desenhamos as linhas artísticas que chegam a Santarém no ano seguinte. Para esta edição, mantivemos uma estrutura semelhante à dos anos anteriores, com uma programação para as escolas assente em três dias de espectáculos no Teatro Sá da Bandeira. Vamos também estender o festival a Almeirim, com dois espectáculos nas escolas. Além disso, haverá propostas marcantes e menos comuns na região, como o “Loop” – um espectáculo de luz negra – e uma performance de uma artista suspensa na fachada do W Shopping.
Que companhias internacionais vão marcar presença nesta edição?
Contamos com seis grupos de cinco países. Espanha traz dois grupos da Catalunha, focados em espectáculos de luz negra e clown. O Brasil regressa a Santarém com a peça infantil “Dragão 7”. Teremos também a Áustria, com o espectáculo “Banho Falhado”, uma companhia do sul de França com quatro espectáculos e, finalmente, o México com uma proposta de clown.
A oferta performativa estende-se a vários pontos da região. Que papel o FITAIJ tem desempenhado na oferta e descentralização cultural junto da comunidade?
Essa tem sido uma batalha que o FITAIJ tem empreendido: a possibilidade de as actividades artísticas presentes no festival circularem o máximo possível pelas freguesias, sobretudo onde a oferta cultural é menor. O que se pretende com o festival é que seja possível fazer o máximo de actividades nas freguesias e nas escolas, de modo a abranger mais população, sobretudo os mais novos que muitas vezes, pela primeira vez, estão a contactar com uma actividade artística na sua escola ou no cineteatro local. Esse é um prisma que o FITAIJ tem desenvolvido ao longo dos anos.
O evento reforçou as parcerias directas nesta edição. Qual a importância da colaboração com festivais e instituições locais na sua organização?
Criamos estas parcerias para que os grupos artísticos, sobretudo os estrangeiros, possam circular por diferentes festivais do país. Há também uma forte componente de divulgação conjunta. Um bom exemplo disso são os artistas que andam nos autocarros com os estudantes, a mostrar e a partilhar a sua arte. Além disso, existem parcerias integradas na programação do festival, como acontece com as Residências Artísticas de Santarém, que este ano vão apresentar uma instalação artística ligada à pintura.
À beira de iniciar a sua 21.ª edição, que balanço faz da evolução do festival e do seu impacto em Santarém?
Acreditamos que o impacto é muito significativo. Percebemos isso pelo feedback que recebemos do público, pelo seu entusiasmo e curiosidade em descobrir o que o FITAIJ vai trazer de novo. É por isso que mantemos a aposta em espectáculos menos usuais. O intuito é confrontar o público com novas linguagens artísticas, despertando o interesse por novidades que desconheciam e que vão gostar de poder apreciar.
Quais são as expectativas da organização para o arranque do festival e que principais marcos pretendem alcançar?
Pretendemos criar impacto nos jovens da nossa cidade e do nosso concelho. Se a cada ano conseguirmos que mais um ou dois jovens, que nunca tinham assistido a um espectáculo, passem a fazê-lo, isso para nós já é gratificante. As nossas metas passam por cumprir o calendário previsto, que este ano conta com uma programação mais arrojada. Esperamos que esta acção de cerca de seis dias seja a semente para que os jovens e as suas famílias se deixem tocar pelos espectáculos e iniciem ou continuem o seu ciclo de contacto com a arte.
