O I Fórum Smart Villages propôs esta quinta-feira, 24 de setembro, a criação de uma rede nacional de cooperação, financiamento adaptado às micro e pequenas empresas rurais e metas nacionais para fixar população e rejuvenescer os territórios de baixa densidade.
As conclusões do encontro, realizado no Sardoal, defendem ainda investimento em soluções de mobilidade adaptadas aos territórios rurais, reforço dos serviços de proximidade e financiamento continuado de modelos de inovação que aproximem empresas, comunidades, ensino superior e centros tecnológicos.
“O que fica deste Fórum é, acima de tudo, uma agenda de trabalho comum”, disse à Lusa o presidente da NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém, Rui Serrano, entidade promotora da iniciativa.
Segundo Rui Serrano, o encontro juntou municípios, Comunidade Intermunicipal (CIM), associações de desenvolvimento local, empresas, academia e centros tecnológicos, procurando que as iniciativas Smart Villages deixem de funcionar isoladamente e passem a integrar uma política de território.
Entre as áreas identificadas estão a digitalização das micro e pequenas empresas e dos serviços de proximidade, inovação aberta, eficiência energética e comunidades de energia, mobilidade, valorização do património e turismo sustentável e reforço do papel das associações de desenvolvimento local e dos Grupos de Ação Local.
As conclusões defendem também linhas de financiamento e acompanhamento técnico ajustadas à dimensão das empresas rurais, sobretudo nos processos de digitalização, inovação e transição energética, sem que esteja, nesta fase, prevista a criação de um novo instrumento financeiro.
“Se os instrumentos forem pensados apenas numa lógica uniforme, corremos o risco de ter financiamento disponível no papel, mas pouco acessível a quem mais precisa dele no terreno”, afirmou Rui Serrano.
O presidente da NERSANT disse que o objetivo é trabalhar com as entidades responsáveis pela gestão e programação dos apoios, tendo o desafio sido colocado também à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), representada no Fórum.
Outra proposta é criar uma rede nacional de cooperação inter-regional Smart Villages para partilhar conhecimento, experiências e recursos entre aldeias portuguesas e parceiros europeus.
As conclusões defendem igualmente a definição de metas nacionais para fixação de população, atração de talento e rejuvenescimento demográfico dos territórios rurais, acompanhadas de monitorização e divulgação pública dos resultados.
Para o presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, a tecnologia deve aproximar serviços das populações e criar condições para a instalação de empresas nos territórios de baixa densidade.
“Temos que nos aproveitar da tecnologia ao serviço das pessoas”, afirmou Valamatos, que também preside à Câmara de Abrantes, apontando como exemplo a possibilidade de evitar que um idoso tenha de percorrer vários quilómetros para aceder a um medicamento.
O autarca defendeu que a tecnologia pode funcionar como “trampolim” para atrair população e empresas e fixar pessoas, considerando que são necessárias dinâmicas económicas fortes para tornar as comunidades mais competitivas e atrativas.
A NERSANT pretende agora, com os restantes parceiros, transformar as conclusões numa agenda operacional, identificando prioridades, projetos suscetíveis de serem desenvolvidos ou ampliados, parceiros e instrumentos de financiamento, sem criar, para já, uma nova estrutura formal.
“O verdadeiro teste ao Fórum” será, segundo Rui Serrano, conseguir apresentar dentro de um ano “o que avançou, que parcerias se consolidaram e que resultados começaram a chegar às pessoas e às empresas”.
As conclusões do encontro, promovido pela NERSANT com a Câmara do Sardoal e vários parceiros regionais, serão agora objeto de reflexão e balanço, podendo posteriormente dar origem a um Manifesto Smart Villages.
