Foto de Arquivo
Foto de Arquivo

O Governo vai destinar cinco milhões de euros do Fundo Ambiental para campanhas de sensibilização e para soluções de contingência, no âmbito da seca que o país atravessa, anunciou hoje o ministro do Ambiente.

“No despacho do Fundo Ambiental, que sairá o mais tardar na próxima semana, vamos atribuir cinco milhões de euros do Fundo Ambiental para campanhas de sensibilização e para soluções de contingência que possam ter que ser necessárias”, disse o ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Matos Fernandes, à margem da conferência final do Projecto E+C – Economia Mais Circular, promovida pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal.

Questionado sobre o tipo de soluções de contingência que podem vir a ser necessárias, o governante deu os exemplos do transporte de água em camiões-cisterna, de “pequenas soluções alternativas para poder aceder a água” e da “limpeza dos fundos de algumas albufeiras para aumentar o seu prisma de água”.

Sobre a suspensão da produção de electricidade em cinco barragens, o ministro do Ambiente lembrou que existe uma hierarquia “bem definida” sobre o principal uso da água das albufeiras, que “é o consumo humano”.

“É esse que nós temos de proteger em primeira linha e ele está protegido, existe nas albufeiras de Portugal água para dois anos de consumo humano caso nunca chova, o que obviamente é um cenário impensável”, acrescentou Matos Fernandes.

Para o governante, todas as outras funções, como a produção de electricidade e a rega das culturas, apesar de “certamente importantes”, são “menos relevantes” do que o consumo humano.

De acordo com o ministro, a decisão de suspender a produção de electricidade em cinco barragens está já a dar resultados, com a do Alto-Lindoso a registar um aumento de dois metros no nível da água e a de Castelo de Bode uma recuperação de 12 centímetros, até segunda-feira.

Embora não seja “desejável”, Matos Fernandes admitiu ser “possível” prolongar o tempo de suspensão da produção de electricidade, se a cota mínima de garantia de água para dois anos de consumo humano não estiver garantida.

“Sempre que a cota dessa mesma albufeira se aproximar desse valor, não pode haver produção de electricidade, porque, repito, a função primeira do uso da água é o consumo humano”, frisou o ministro do Ambiente.

“A situação da seca em Portugal, já o disse várias vezes, não é conjuntural, é mesmo estrutural, em seis anos que levo de ministro, houve um ano em que não foi preciso decretar medidas para nos proteger da seca, que foi exactamente o ano passado”, apontou o governante.

Questionado se as medidas para fazer face à seca deviam ter sido aplicadas com mais antecedência, Matos Fernandes considerou “um disparate” pensar que deviam ter sido impostas restrições enquanto havia água.

A primeira de cinco reuniões, lideradas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), para avaliar as medidas técnicas a tomar contra a seca, decorre hoje, no Algarve, seguindo-se as restantes sub-regiões hidrográficas.

Em declarações aos jornalistas na terça-feira, Matos Fernandes disse que, no final das reuniões, em que participarão os municípios portugueses, “muito provavelmente” deverão ser decretadas “medidas concretas para a redução e para a poupança de água”.

O Governo restringiu, no início de Fevereiro, o uso de várias barragens para produção de electricidade e para rega agrícola devido à seca em Portugal continental.

Para já, há quatro barragens cuja água só será usada para produzir electricidade cerca de duas horas por semana, garantindo “valores mínimos para a manutenção do sistema: Alto Lindoso e Touvedo, no distrito de Viana do Castelo, Cabril (Castelo Branco) e Castelo de Bode (Santarém).

Leia também...

Celebrado contrato de empreitada para a Startup Ourém

A NERSANT e o Município de Ourém assinaram no dia 20 de Junho um protocolo de colaboração para a criação da Startup Ourém, estrutura…

Caudais do Tejo descem, mas Médio Tejo mantém alerta vermelho

A descida dos caudais do Tejo aliviou a pressão nas zonas ribeirinhas do Médio Tejo, mas a previsão de chuva e os efeitos da…

Mais operacionais e menos meios aéreos no combate a incêndios para este ano

 Os operacionais envolvidos no combate aos incêndios rurais vão aumentar ligeiramente este ano, estando previstos para os meses considerados mais críticos 14.155 elementos, mas…

Morreu António Stoffel, antigo presidente da Junta de S. Salvador

António Augusto Stoffel faleceu ontem, aos 88 anos de idade, no Hospital de Santarém, vítima de doença. O antigo presidente da Junta de Freguesia…