O Grupo Académico de Danças Ribatejanas e o Grupo Infantil de Dança Regional celebraram na tarde deste domingo (31 de Maio) sete décadas de existência num espectáculo comemorativo que teve lugar no Convento de São Francisco, em Santarém, no Dia Nacional do Folclore Português.
Num espectáculo conduzido pelo director dos Grupos, Ludgero Mendes saudou as entidades presentes, nomeadamente a Câmara de Santarém, representada pelo vereador Pedro Gouveia; a União de Freguesias da Cidade, por Ana Arrais, o CIOF, por Joaquim Rocha, e a Federação do Folclore Português (FFP), representada pelo seu presidente, Daniel Café.
O Dia Nacional do Folclore Português é celebrado todos os anos de forma descentralizada, uma estratégia que reforça a proximidade às comunidades e reconhece a diversidade cultural e identitária do nosso país. Este ano a escolha recaiu em Santarém, no dia em que o Grupo Académico de Danças Ribatejanas assinalou o seu 70.º aniversário. Uma escolha que segundo o presidente da FFP “não é casual, mas sim um tributo ao trabalho exemplar deste Grupo que ao longo de sete décadas tem honrado o Ribatejo e o nosso País, preservando e divulgando as suas tradições com autenticidade, rigor e paixão”.
Segundo Daniel Café, o Grupo Académico é “um símbolo do que melhor representa o movimento folclórico português: continuidade, dedicação, estudo, compromisso comunitário e amor pela cultura popular”.
Para o dirigente, celebrar o Dia Nacional do Folclore Português “é celebrar quem somos, é reconhecer que o folclore não é apenas dança, música ou traje, é também memória, território, é comunidade e é identidade. É um património vivo que se renova a cada ensaio, a cada festa, a cada gesto transmitido entre gerações”, admitiu na sua intervenção.
“O futuro do folclore português depende de todos nós: dos dirigentes, dos investigadores, praticantes, jovens, autarquias, escolas, universidades, instituições culturais e sobretudo das comunidades que mantêm vivas as tradições. Que este dia seja não apenas uma celebração, mas um compromisso, com a autenticidade, com a salvaguarda, com a formação, com a juventude e com a continuidade do nosso património cultural e imaterial”, prosseguiu.
Durante a sessão foi projectado um vídeo que convida os jovens a participar no mundo associativo, uma das preocupações actuais da Federação: “chamar os jovens até nós para podermos garantir o futuro do nosso movimento”, salientou.
Para Daniel Café, a Assembleia da República ao instituir este dia, não procedeu apenas a um acto legislativo, mas sim a um “gesto de maturidade cultural e de visão estratégica”.
“Ao consagrar este dia, o país assumiu que o folclore não é um adorno do passado, mas é um elemento estruturante da nossa identidade colectiva, um património vivo que continua a ser lembrado, recreado, reinterpretado e transmitido entre gerações”, defendeu.
Desde a sua fundação, que se aproxima do 50.º aniversário, a Federação do Folclore Português assumiu a missão de estudar, promover, defender e dignificar as tradições populares portuguesas. A sua integração na Rede Nacional para a Salvaguarda do Património Cultural e Imaterial reforça o seu papel estratégico. Daniel Café salientou ainda a elaboração da Carta de Princípios do Folclore Português, como um “documento estruturante que define orientações éticas, metodológicas e identitárias para todos os grupos e agentes culturais”.
“Esta carta é, hoje, um instrumento de referência que orienta prática, clarifica conceitos e promove autenticidade e responsabilidade cultural, concluiu, anunciando para 19 de Setembro, em Sintra, a realização do Desfile Nacional do Traje Popular.
Logo após as intervenções, foram projectadas cerca de uma centena de imagens alusivas à trajectória dos Grupos Infantil de Dança Regional e Académico de Danças Ribatejanas, de Santarém, finda a qual se deu início à actuação dos Grupos Infantil e Académico de Santarém, com caracterização das sub-regiões etnográficas do Ribatejo e apresentação de trajos.
A tarde encerrou com o corte do Bolo de Aniversário por sete décadas de defesa da matriz cultural ribatejana.
Fundados a 27 de Maio de 1956, os Grupos tornaram-se autênticos embaixadores culturais, guardiões da autenticidade e pilares da identidade ribatejana.












