No Dia Internacional dos Museus, a Igreja de S. João de Alporão acolheu a mesa-redonda “Museu Municipal de Santarém: Que passado? Que presente? Que futuro?“, primeira iniciativa do programa comemorativo do sesquicentenário da instituição. O encontro reuniu museólogos, investigadores e técnicos de património numa discussão franca sobre os desafios e as responsabilidades dos museus perante as comunidades que servem.
Jorge Custódio recordou que um museu “não é feito para especialistas; é feito para as pessoas” e sublinhou a importância da tutela municipal, lembrando que “a esmagadora maioria dos museus nacionais são de gestão autárquica”, tornando o planeamento estratégico “uma responsabilidade incontornável dos municípios”.
Clara Frayão Camacho alertou para o valor muitas vezes invisível das instituições culturais. “A importância do museu vê-se no dia em que fecha portas”, vincou, defendendo que o museu deve continuar a ser uma instituição “ativa na vida cultural e cívica da cidade, capaz de atrair públicos diversificados, de estabelecer parcerias significativas e de produzir conhecimento com impacto”.
Alexandre Matos situou a tecnologia no seu justo lugar, afirmando que é “uma ferramenta e um aliado, e não um adversário dos museus”, destacando as potencialidades do acesso virtual às coleções como “recurso educativo de alcance crescente”.
Luís Mata, responsável pela redação do Plano Museológico do Museu Municipal de Santarém (2026–2036), defendeu uma visão de museu aberto ao território e às suas comunidades.
“O museu não é o único detentor do saber sobre o seu território, e as comunidades têm formas de conhecimento que o museu deve saber acolher e valorizar”, elucidou, alertando que este caminho “exige recursos, continuidade e, sobretudo, uma vontade institucional clara” e que “se faz com uma estratégia de longo prazo, com equipas estáveis e com um projeto de museu que coloque a relação com a comunidade no centro, e não na periferia, da missão institucional.”
A mesa-redonda inaugurou um programa comemorativo que se estenderá ao longo do ano, assinalando século e meio de uma instituição que nasceu em 1876 e que continua, 150 anos depois, a debater o seu papel na vida da cidade e do território.
