Desculpem se ainda escrevo sobre a Festa do Avante, mas entendo que o devo fazer.

Apesar de, na sua 1.ª edição ter sofrido um atentado à bomba, e de ter sido alvo de diversas provocações mediáticas em diversas edições, a Festa do Avante era quase ignorada pela comunicação social dominante. Foi preciso chegar à sua 44.ª edição e ter sido realizada no contexto da atual pandemia, para que todos os demónios tivessem sido lançados pata tentar inviabilizar, dificultar ou estigmatizar a sua realização, por razões que, como se veio a demonstrar, nada tinham a ver com reais preocupações de saúde pública.

Claro que as preocupações eram legítimas e o PCP nunca as ignorou. E por isso mesmo, definiu à partida um conjunto muito significativo de alterações àquele que é o figurino habitual da Festa, quer em termos de programação, quer de lotação, quer de construção, adotando por decisão própria um conjunto de medidas de proteção sanitária. Para além disso, o PCP acatou sem hesitar exigências feitas pela DGS, mais rigorosas do que as que foram exigidas outros eventos, mas escrupulosamente cumpridas.

Apesar disso, assistimos a uma campanha mediática contra o PCP, a pretexto da realização da Festa, em que valeu tudo. Todos os canais televisivos de sinal aberto fizeram um verdadeiro campeonato de manipulação e infâmia contra a Festa do Avante. Contudo, a Festa fez-se e foi um exemplo de que é possível realizar iniciativas políticas, culturais e de massas em segurança sanitária desde que sejam adotadas e cumpridas as medidas necessárias. O grande sucesso que foi a realização da Festa do Avante deveria levar os detratores a assumir que estavam errados e a pedir desculpa ao PCP.

É óbvio que isso não iria acontecer. A campanha contra a Festa do Avante nunca se baseou em reais preocupações de saúde pública. Dizer aos mentores e executores da campanha contra a Festa do Avante que tenham vergonha é pedir demais. Não tiveram, não têm e nunca terão.

António Filipe – Deputado do PCP eleito por Santarém

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