Alcanena

Poucos meses eram passados sobre o 25 de Abril de 1974 quando a recém criada Comissão de Luta Anti Poluição do Alviela (CLAPA) lançava um autocolante com a consigna da sua luta.

Eu tinha 11 anos de idade e sabia por experiência própria o que era a poluição do Alviela. A horta que era do meu avô, nos Filhós, é banhada pelo Alviela. Era nessa altura uma cloaca imunda de farrapos cinzentos e maus cheiros.

Logo após o 25 de Abril, em condições de liberdade, foi criada a CLAPA. A influência do PCP foi decisiva para a sua criação, mas participavam nesse movimento muitos cidadãos sem partido que abraçavam a justa luta contra a poluição do Alviela.

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A luta produziu resultados, mas mais de 45 anos passados foi com um misto de pesar e de esperança que vi reeditado em Alcanena o autocolante a CLAPA. Pesar pelo facto ainda ser necessário lutar contra a poluição do Alviela. Esperança porque o povo está de novo em luta e só com a luta é possível obter resultados.

Há alguns anos atrás, em reunião realizada no Ministério do Ambiente, em que participaram representantes da Câmara Municipal, da AUSTRA e Deputados eleitos por Santarém, foi garantida a candidatura a fundos comunitários que permitiriam resolver pelo menos parte do problema. Em contactos posteriores com a Câmara e a AUSTRA obtive informações sobre estudos e medidas que permitiriam garantir a qualidade de vida das populações e minorar o impacto ambiental das indústrias de curtumes.
Posteriormente, dada a incapacidade manifestada pela AUSTRA para resolver cabalmente o problema, a Câmara assumiu a responsabilidade do processo através da Aquanena.

Porém, o problema não só não está resolvido como se agravou, ao ponto de suscitar uma justa exasperação da população. A caixa de entrada do meu correio eletrónico não cessa de receber mensagens indignadas. Embora não esteja nas minhas mãos resolver o problema (antes estivesse) estou solidário com as populações.

Como diria José Saramago, se as coisas estão como estão, é porque alguém não está a cumprir o seu dever.

A Assembleia da República não tem poderes para interferir em competências municipais, mas tem poderes de fiscalização do Governo.

Logo que a Assembleia da República retome os seus trabalhos não deixarei de confrontar o Ministro do Ambiente para que o Governo assuma responsabilidades nesta matéria, porque o que se passa é demasiado grave para que o Governo ignore esta situação e nada faça para lhe pôr termo.

António Filipe – Deputado do PCP eleito por Santarém

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