Os Verdes questionaram o Governo sobre a construção de um empreendimento turístico no concelho de Tomar “a escassos metros de um importante monumento e necrópole megalítica”, assegurando o município que a obra tem sido fiscalizada e acompanhada.

Numa pergunta entregue no parlamento, a deputada Mariana Silva, de Os Verdes, manifesta a preocupação “pelo risco de afectação” a que a Anta do Vale da Laje pode estar sujeita, tanto na fase de execução da obra, “com recurso a máquinas pesadas (retro-escavadoras e martelos pneumáticos), pela trepidação que envolve, pela perturbação da paisagem envolvente do monumento, mas também pelos actos de escavação e remoção de terras e inertes naquela que deveria ser zona de protecção do monumento/sítio arqueológico”.

Questionada pela Lusa, a Câmara de Tomar afirma que o empreendimento foi licenciado “nos termos da Lei” e que foram seguidas as recomendações da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) para acautelar a salvaguarda do monumento, nomeadamente com a realização de “fiscalização regular”.

“A obra esteve inclusivamente parcialmente embargada”, afirma a autarquia, acrescentando que “tem sido efectuado o acompanhamento arqueológico nos termos da Lei e realizadas fiscalizações regulares pelo município, assim como por parte de outras entidades”.

O requerimento de Os Verdes refere que o Grupo de Amigos da Anta do Vale da Laje – um grupo informal de cidadãos do qual faz parte uma das arqueólogas que participaram na investigação e escavação do monumento – e alguns habitantes têm manifestado a sua preocupação com o impacto da construção do empreendimento, situado na localidade de Casalinho/Vale da Lage, na União de Freguesias de Serra e Junceira.

Em causa está, alegam, a “defesa da integridade do monumento e da salvaguarda da sua envolvente paisagística”, mas também os impactos ambientais na zona e na qualidade do meio hídrico do rio Zêzere.

Segundo Os Verdes, o monumento faria parte de um conjunto de antas, algumas das quais já destruídas, sendo o mais bem conservado e o maior de uma vasta zona a norte do rio Tejo.

“Constitui um sítio arqueológico alvo da medida de protecção de inventariação e constante na Base de Dados Nacional (Endovélico) sob a designação “Casalinho 1/Vale da Laje 1”, tendo sido alvo de quatro campanhas de investigação e escavação entre 1989 e 1992, que culminaram com a “vedação para protecção do seu núcleo integral”, afirma a deputada.

Em 2014, com o apoio da Câmara Municipal de Tomar e da União de Freguesias de Serra e Junceira, foram adoptadas medidas para tornar o monumento “visitável e interpretável, constituindo assim, uma mais-valia em termos educativos, turísticos e sociais”, acrescenta.

“Trata-se, assim, não apenas de um importante monumento dolménico, fundamental para a compreensão da ocupação humana desde tempos remotos (7.000 anos de antiguidade) naquela região, mas cuja importância é reconhecida pela comunidade académica tendo sido alvo de investimentos para sua salvaguarda, estudo e valorização com visitação”, frisa.

Na pergunta entregue no parlamento, Os Verdes querem saber qual o acompanhamento que tem sido feito pela DGPC, se existe alguma área de protecção, legal ou administrativamente delimitada, relativamente ao sítio arqueológico “Casalinho 1/Vale da Laje 1”, e com que perímetro de distância (em metros) a partir do monumento ou da sua vedação.

Questionam ainda se a DGPC entende que o monumento reúne as condições para ser aberto procedimento de classificação e, em caso afirmativo, por que razão não foi encetada oficiosamente o respectivo procedimento.

O partido pergunta igualmente quando foi pedido e concedido parecer da DGPC sobre o empreendimento em causa ou outra obra nas imediações do sítio arqueológico, que acções de fiscalização e em que data foram realizadas para garantir o cumprimento das condições exigidas pela DGPC nos seus pareceres, bem como das leituras topográficas periódicas que estão a ser levadas a cabo.

Leia também...

Sintra, Abrantes e Grândola lideram ‘rankings’ de melhor desempenho financeiro em 2023 – Anuário

As câmaras de Sintra, Abrantes e Grândola obtiveram as melhores pontuações nos respetivos ‘rankings’ dos municípios de grande, média e pequena dimensão com melhor…

Homem de 60 anos detido por furto de 150 litros de gasóleo de camiões

A GNR deteve um homem de 60 anos, no passado dia 18 de Agosto, por furto de 150 litros de gasóleo, em Torres Novas.…

Dez caçadores detidos por uso de meios proibidos na caça

O Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) da GNR de Santarém deteve em flagrante dez homens, com idades compreendidas entre os 41 e os 64…

Inovação e eficiência no uso da água são prioridades para garantir a sustentabilidade

A inovação como resposta aos desafios da gestão sustentável da água foi o ponto de partida lançado por Ramiro de Matos, presidente da Águas…