Joaquim Veríssimo Serrão, historiador, professor universitário e uma das figuras maiores da historiografia portuguesa contemporânea, é hoje recordado em Santarém no dia em que faria 101 anos.

A evocação foi assinalada pelo Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, instituição que preserva o legado bibliográfico e documental do historiador, doado à cidade de Santarém, e pelo seu filho, o historiador de arte Vítor Serrão, que deixou uma nota de memória pessoal e intelectual sobre o pai.

“Cento e um anos faria hoje Joaquim Veríssimo Serrão, historiador, professor, meu pai — uma vida inteira ao serviço da investigação, do ensino, do saber histórico”, escreveu Vítor Serrão, sublinhando que há perdas que, “para além das saudades, deixam pistas, abrem caminhos”.

Na mesma evocação, Vítor Serrão lembra o papel do Centro de Investigação que tem o nome do pai e que guarda o seu legado bibliográfico-documental, “doado à cidade de Santarém” e actualmente dirigido por Martinho Vicente Rodrigues. “O CIJVS faz todo o sentido num tempo em que a História-ciência se revela, mais do que nunca, uma coisa tão necessária. Este legado ajuda a prosseguir a rota”, acrescentou.

Natural de Santarém, Joaquim Veríssimo Serrão afirmou-se como uma referência da vida académica, cultural e intelectual portuguesa, dedicando grande parte da sua vida ao estudo da História, à investigação e à formação de sucessivas gerações de estudantes. A sua obra e o seu percurso ficaram ligados à defesa da memória colectiva, ao rigor científico e à valorização do património histórico e cultural português.

Na nota divulgada pelo Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, é sublinhado que a importância do historiador “não se mede apenas pelos cargos exercidos ou pelos prémios recebidos”, mas também pela “marca humana” deixada em todos aqueles que com ele privaram, aprenderam ou trabalharam.

A instituição destaca ainda a ligação profunda de Joaquim Veríssimo Serrão a Santarém, “a cidade que o viu nascer e que nunca deixou de amar”, e reafirma o compromisso de preservar e projectar os valores que orientaram a sua vida e a sua obra.

Num registo mais pessoal, Vítor Serrão recorda “o calor das mãos apertadas, quase de despedida”, convocando Camões para traduzir a permanência da memória: “Oh! estranha ousadia! estranho feito! Que, dando breve morte ao corpo humano, tenha sua memória larga vida!”.

 

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