O jovem empreendedor Pedro Vicente desenvolveu, em Almeirim, a CurioKits, uma nova marca portuguesa de brinquedos educativos em madeira que tem como missão afastar as crianças e os jovens dos ecrãs dos telemóveis. O projecto independente, que conta com o apoio da família do fundador, lançou o primeiro kit “Satélite Espia”, pertencente à colecção “Missão Marte”, um puzzle lúdico e pedagógico com o objectivo de promover a concentração e os laços entre pais e filhos durante a montagem.
Em entrevista ao Correio do Ribatejo, o criador do projecto detalha o processo de design, as reacções positivas das famílias e o plano de expansão da marca para os próximos anos.
Como surgiu a ideia de criar a CurioKits?
A CurioKits nasceu de uma dor que tem vindo a aumentar em mim. Eu trabalho em software, passo o dia inteiro à frente de um ecrã e quando termino o trabalho vou beber um café. Olho ao meu redor e vejo a maioria dos adultos e dos jovens ao telemóvel. E este cenário não acontece só na rua. Nos almoços de família, uma boa parte do tempo é passado a ouvir birras dos meus primos, que são crianças e querem o telemóvel a toda a hora. O projecto foi desenvolvido por mim, com o apoio da minha família e da minha namorada.
Qual foi o maior quebra-cabeças em desenhar e produzir este puzzle em madeira?
A produção física deste puzzle não é da minha autoria. Tudo o resto foi pensado e realizado por mim. Um objecto bem cortado ainda não é um produto, falta-lhe o universo que lhe dá sentido. Neste caso, idealizei um projecto com várias missões, sendo esta a 1.ª Missão Marte. De seguida, concebi as instruções que um jovem consegue seguir sozinho, ou para os pais mais empenhados se orientarem na construção do mesmo com os filhos mais novos. Criei a embalagem e o livro que acompanha o satélite. Dei a esta missão uma vertente lúdica e pedagógica. E, por fim, a tentativa de criar laços mais fortes entre pais e filhos.
Como tem sido a reacção a este objecto por parte dos pais, crianças e educadores?
Sou honesto: o kit é recente e o feedback ainda é pouco se traduzirmos em resultados, por isso não vou fingir números que não tenho. Mas o que já recebi, através de mensagens e abordagens na rua, tem um padrão claro dos pais. Os comentários são muito positivos e quem já adquiriu fica surpreendido pelo tempo que a criança ficou concentrada, sem pedir o telemóvel.
A reacção das crianças depois da montagem é inesperada. Recebi relatos de famílias que montam o satélite à noite com os filhos e deixam-no ficar à janela. De manhã, quando a criança acorda e vê que o satélite está a rodar, olha para ele com espanto e entusiasmo. Este é o melhor retorno que podia ter deste projecto. É esse o momento em que o brinquedo deixa de ser um simples objecto montado e passa a ser um brinquedo que ganha vida própria, que funciona sozinho. Nenhum ecrã lhes proporciona esta alegria, nem lhes instiga tamanha curiosidade.
Sendo este o primeiro kit da “Missão Marte”, que outros produtos e temáticas estão a planear para o futuro da colecção?
A Missão Marte foi pensada como uma narrativa e não como um produto isolado. O Satélite Espia é o primeiro passo. Os kits seguintes acompanham a progressão da missão: Robô Explorador, Rover Marte, Base de Energia, Veículo de Transporte. Cada um tem um nível de complexidade superior ao anterior.
Uma das direcções que estou a explorar é uma colecção de química, com experiências seguras para fazer em casa. A lógica será a mesma de sempre: menos ecrã, construir mais e mais, mas desta vez com as mãos na bancada da cozinha. Ainda é uma ideia em estudo, não é uma data no calendário.
Onde gostaria de ver a CurioKits daqui a cinco anos e que papel espera que a comunidade local tenha nesse percurso?
Daqui a cinco anos gostava de ver a CurioKits como uma marca portuguesa de referência em brinquedos educativos, com uma colecção completa e uma presença assídua nas escolas e livrarias.
