O Grupo Académico de Danças Ribatejanas promoveu na passada sexta-feira, dia 27 de Fevereiro, pelas 22h00, mais uma sessão da sua Tertúlia Ribatejana, desta vez dedicada à figura de Manuel dos Santos.

A iniciativa incluiu a apresentação da segunda edição do livro “Manuel dos Santos – O Homem e o Toureiro” e a exibição do documentário “Depois da Saudade”, realizado pelo mexicano Toto Martínez.

A sessão teve lugar no Centro Etnográfico Celestino Graça, em Santarém, e contou com a presença do autor da obra, Manuel Jorge Díez dos Santos, filho de Manuel dos Santos e da neta, Madalena Santos.

Ludgero Mendes, critico tauromáquico e director do Centro Etnográfico realçou a “visão lúcida e criteriosa” da forma como o filho de Manuel dos Santos traçou a personalidade de seu pai na obra. “O resultado é extraordinário”, realça a propósito desta segunda edição, revista e melhorada, salientando que a memória do toureiro deve perdurar.

O livro revisita a vida e o percurso de Manuel dos Santos, figura maior da tauromaquia nacional, através de uma abordagem que cruza dimensões pessoais e profissionais do toureiro.

Ludgero Mendes traçou, de forma detalhada, o percurso de Manuel dos Santos no país e no estrangeiro, destacando, entre muitas outras distinções, o prestigiado Troféu Rosa Guadalupana, que poucos toureiros conseguiram alcançar.

“Manuel dos Santos foi um homem de uma humildade extraordinária que nunca esqueceu as suas origens”, sublinha Ludgero Mendes que ao longo da sua intervenção destacou diversos episódios da carreira do toureiro, nomeadamente as 11 colhidas que sofreu, muitas delas com muita gravidade, e o facto de ter morto um toiro no Campo Pequeno, tendo sido detido pela PSP, mas absolvido nos tribunais, três anos depois, e levado em ombros por dezenas de populares até à baixa de Lisboa.

Manuel Jorge Díez dos Santos e Madalena Santos agradeceram a homenagem prestada a seu pai e avô, tendo Manuel Jorge, na sua intervenção abordado especialmente a relação de seu pai com Santarém.

“Ao relembra-lo estamos a dignificar a festa brava”, afirmou.

Para além da apresentação editorial e da projecção do documentário, a tertúlia integrou um momento de homenagem a elementos da denominada “Quadrilha Maravilha” — Manuel Badajoz, Manuel Barreto e José Tinoca — que actuaram ao lado de Manuel dos Santos em praças portuguesas, espanholas e da América Latina.

Foi ainda evocada a ligação do toureiro a Celestino Graça.

Uma sessão que reuniu aficionados e público interessado na história e na memória da tauromaquia ribatejana e mundial.

Um toureiro de prestígio mundial

Manuel dos Santos, natural da Golegã onde nasceu em 11 de Fevereiro de 1925, foi um toureiro de enorme prestígio mundial, ombreando com as principais figuras do seu tempo. Corria o ano de 1941 quando Manuel dos Santos se apresentou como amador na Chamusca, porém, foi na Golegã, com Patrício de Sousa Cecílio, que aprendeu as bases do toureio, orgulhando o seu mestre que o levou a tomar a alternativa de bandarilheiro, na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa, numa corrida nocturna que se realizou em 26 de Julho de 1944, apadrinhado por Alfredo dos Santos, que lhe cedeu a lide de um toiro da ganadaria de Joaquim Mendes Núncio, de Alcácer do Sal, passando a integrar a quadrilha do cavaleiro João Branco Núncio.

A sua carreira de novilheiro em Espanha foi notável, tendo a sua estreia ocorrido na Praça de Badajoz, na tarde de 26 de Junho de 1947. Nesse mesmo ano, a 14 de Dezembro, recebeu a alternativa de matador de toiros na Praça “El Toreo”, na cidade do México, apadrinhado pelo famoso Fermín Espinosa “Armillita” com o testigo de Carlos Arruza. Gravemente colhido nesta corrida pelo toiro Vanidoso, renunciou a essa alternativa recebendo-a em 15 de Agosto de 1948, na Real Maestranza de Sevilha, tendo como padrinho Manuel Jiménez “Chicuelo”.

A partir de então a sua carreira foi recheada de triunfos, mau grado algumas colhidas graves, das quais sempre recuperou com mais empenho e valor. Figura importante no seu tempo, Manuel dos Santos retirou-se em 18 de Outubro de 1953, numa memorável corrida realizada no Campo Pequeno, em Lisboa, após o que encetou a carreira de empresário tauromáquico da antiga Praça de Algés, actividade que desempenhou entre 1955 e 1959. Em 1960 regressou às arenas, reaparecendo numa corrida no México, em 26 de Fevereiro, e em Portugal, em 26 de Junho, no Montijo.

Retirou-se definitivamente em 1964 e nos últimos anos da sua vida foi empresário da Praça do Campo Pequeno, contribuindo de forma notável para a valorização da tauromaquia em Portugal. Manuel dos Santos morreu tragicamente num acidente de viação, em 18 de Fevereiro de 1973, próximo de Vendas Novas, quando regressava à Quinta de Guadalupe, na Golegã, onde residia, após uma visita à sua ganadaria “Porto Alto”. A sua morte deixou um vazio nunca preenchido.

 

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