A arquiteta paisagista Margarida Sá Luz Coruche Cancela d’Abreu, vencedora da 7.ª edição do Prémio Gonçalo Ribeiro Telles para o Ambiente e a Paisagem, será distinguida no dia 23 de maio de 2026, às 17 horas, no Museu Municipal de Coruche, em cerimónia que cruza o reconhecimento de um percurso maior na arquitetura paisagista portuguesa com a homenagem pública a Gonçalo Ribeiro Telles, figura de referência do ambiente, da paisagem e do ordenamento do território, com ligação profunda a Coruche. Antes da entrega do prémio, será descerrada a placa toponímica da atual Avenida do Sorraia, que passará a denominar-se Avenida Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, perpetuando no espaço público do Concelho o nome de um dos grandes pensadores e construtores da paisagem portuguesa contemporânea.
A sessão assinala a distinção atribuída a Margarida Cancela d’Abreu pelo seu contributo maior para a arquitetura paisagista portuguesa, para o ordenamento do território e para a afirmação de uma visão ecológica, humanista e pública da paisagem. A 7.ª edição do prémio reconhece, deste modo, um percurso profissional, académico e institucional iniciado em 1971 e desenvolvido ao longo de várias décadas em organismos da Administração Central, no ensino superior e em estruturas nacionais e internacionais ligadas à arquitetura paisagista e ao ambiente.
Antes da cerimónia de entrega do prémio ocorre o descerramento da placa toponímica da atual Avenida do Sorraia, que passará a nomear-se Avenida Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles. O ato oficial inscreve no território de Coruche o nome de uma das figuras maiores da arquitetura paisagista portuguesa, cujo pensamento marcou de forma decisiva a relação entre ambiente, paisagem, cidade, ruralidade, ordenamento do território e qualidade de vida. A homenagem toponímica assume, assim, um significado simbólico acrescido, ao associar o espaço urbano do Concelho ao legado de Gonçalo Ribeiro Telles e à sua visão integrada da paisagem como bem comum, património coletivo e condição essencial de futuro.
O Prémio Gonçalo Ribeiro Telles para o Ambiente e a Paisagem distingue anualmente uma personalidade que se tenha destacado pelo seu trabalho nas áreas de ambiente, paisagem e ordenamento do território, dando continuidade ao pensamento e à ação cívica de Gonçalo Ribeiro Telles. A iniciativa resulta da colaboração entre o Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, a Universidade de Évora, a Causa Real, a Ordem dos Engenheiros, a Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas e a Câmara Municipal de Lisboa, contando ainda com a colaboração da família de Gonçalo Ribeiro Telles, e reúne instituições ligadas à ciência, ao ensino, à prática profissional, à cidadania e à defesa da paisagem.
Margarida Cancela d’Abreu iniciou a sua atividade profissional em 1971 como arquiteta paisagista no extinto Fundo de Fomento da Habitação, onde colaborou em vários planos habitacionais e contribuiu para a implementação de conceitos e regras associados à definição de estruturas verdes. Em 1975 integrou a Secretaria de Estado do Ambiente, participando na definição do quadro legal do ordenamento do território e do uso do solo, numa fase decisiva de construção das políticas públicas ambientais em Portugal. Desde cedo, o seu percurso ficou marcado pela articulação entre arquitetura paisagista, planeamento, habitação, ambiente e interesse público, áreas que viriam a atravessar toda a sua intervenção técnica, académica e institucional.
Ao longo de cerca de duas décadas, exerceu funções técnicas em vários organismos da Administração Central ligados ao ordenamento e ao planeamento regional, tendo desempenhado funções de direção regional na área do planeamento do território. Paralelamente à atividade técnica, integrou, entre 1975 e 2011, o corpo docente fundador da primeira licenciatura em Arquitetura Paisagista oficialmente reconhecida em Portugal, na Universidade de Évora, contribuindo para a afirmação académica da disciplina e para a formação de sucessivas gerações de arquitetos paisagistas.
A sua intervenção teve igualmente expressão no plano institucional e internacional. Foi membro do Fórum Consultivo Europeu sobre o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável, da DG XI, entre 1994 e 2001, fundadora da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas, em 1976, e presidente da instituição entre 2009 e 2012. Representou Portugal na IFLA e na IFLA Europe — Federação Europeia dos Arquitetos Paisagistas, integrou o Comité de Educação da IFLA Europe a partir de 2001, desempenhou funções como vice-presidente da IFLA Europe para a Educação e foi distinguida como membro honorário em 2015.
Quer como técnica, quer como docente, Margarida Cancela d’Abreu afirmou uma visão assente na defesa dos princípios ecológicos, numa perspetiva humanista da paisagem, no primado do interesse público e no trabalho permanente em equipa. Este entendimento da arquitetura paisagista como disciplina de mediação entre natureza, território, comunidade e futuro perpassa o seu percurso profissional e está na base da atribuição do Prémio Gonçalo Ribeiro Telles para o Ambiente e a Paisagem 2025.
O Prémio Gonçalo Ribeiro Telles para o Ambiente e a Paisagem traduz-se num troféu em forma de árvore, da autoria do escultor Luís Cruz, símbolo da relação entre natureza, território e futuro que marcou o pensamento e a ação do arquiteto paisagista. Em Coruche, a entrega da distinção adquire especial significado, uma vez que coincide com a atribuição do seu nome à atual Avenida do Sorraia, reunindo, no mesmo momento, o reconhecimento do percurso de Margarida Cancela d’Abreu e a inscrição pública do legado de Gonçalo Ribeiro Telles no espaço urbano do Concelho.
