A proteção civil do Médio Tejo ativou esta quarta-feira, dia 1 julho, um plano de resposta a fenómenos climáticos extremos, após o alerta vermelho de saúde pública decretado devido ao calor, que mobiliza em rede serviços de saúde, segurança, municípios e outras entidades.

“A Proteção Civil está aqui com várias frentes de trabalho, não é só o combate a eventuais incêndios, é também o apoio à população nesta fase de temperaturas extremas”, afirmou à Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, referindo-se à ativação do Plano de Coordenação, Antecipação e Resposta à População para Fenómenos Climáticos Extremos (PCARAP-FCE).

Segundo o responsável, a ativação do plano desencadeia uma resposta coordenada entre a Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, os 11 municípios da sub-região, forças de segurança, Segurança Social e outras entidades parceiras, com especial enfoque na proteção das populações mais vulneráveis.

“O alerta é emitido pelas autoridades de saúde e, a partir daí, toda a estrutura prevista no plano entra em funcionamento, sob nossa coordenação”, explicou.

Entre as medidas previstas contam-se a identificação e acompanhamento de idosos isolados, pessoas dependentes e doentes crónicos, a disponibilização de espaços climatizados pelos municípios, o reforço da vigilância pelas forças de segurança e a articulação entre serviços de saúde, proteção civil e ação social.

Criado em 2025, o plano assenta numa resposta integrada entre 17 entidades, procurando antecipar os efeitos dos fenómenos climáticos extremos através de três eixos de atuação, dois preventivos e um proativo.

Os mesmos assentam na prevenção, com a requalificação energética de habitações de pessoas vulneráveis e ações de sensibilização da população, e uma componente operacional, que mobiliza meios de saúde e apoio social sempre que sejam emitidos alertas meteorológicos.

Na apresentação da iniciativa, a ULS Médio Tejo defendeu que o objetivo passa por “antecipar riscos, reforçar a resiliência comunitária e proteger a população mais vulnerável”, transformando a articulação entre saúde, proteção civil, autarquias e restantes parceiros em medidas concretas de proteção no território.

David Lobato afirmou que o plano é “pioneiro” e está a ser acompanhado por entidades nacionais, considerando que poderá servir de modelo para outras regiões do país.

“Julgo que, a muito breve trecho, será replicado a nível nacional”, afirmou.

O plano estabelece respostas específicas para diferentes patamares de risco climático (incluindo alertas verde, laranja e vermelho), com medidas ajustadas ao grau de vulnerabilidade das populações, assegurando abrigo, apoio social e de saúde adequados, a par do transporte, quando necessário.

A ativação do plano ocorre depois de a ULS Médio Tejo ter decretado esta quarta-feira o alerta vermelho de saúde pública para os concelhos da região, devido à previsão de temperaturas superiores a 38 graus Celsius para os próximos dias.

As autoridades de saúde alertaram para o risco acrescido para idosos, crianças, pessoas acamadas e doentes crónicos, recomendando o reforço da hidratação, a permanência em locais frescos, a redução da exposição solar nas horas de maior calor e uma vigilância acrescida sobre pessoas isoladas, apelando ainda à sinalização de situações de maior vulnerabilidade junto das entidades competentes.

Desde a ativação do plano e a coordenação operacional (a cargo do Comando Sub-Regional de Proteção Civil do Médio Tejo), passando pela identificação e encaminhamento de pessoas vulneráveis pela ULS, ou Segurança Social e outros parceiros, até à disponibilização de abrigos e meios logísticos por parte dos municípios, todas as entidades passam a atuar de forma articulada.

A população residente na área geográfica de abrangência da sub-região do Médio Tejo é de cerca 170 mil pessoas.

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