O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo espera que outros municípios da região venham a integrar o projeto-piloto de controlo de javalis, que nesta fase abrange apenas três dos 11 concelhos.
Em declarações à agência Lusa, Manuel Jorge Valamatos reconheceu que Abrantes, Mação e Sardoal, os três municípios selecionados pelo Governo, não são os únicos da região afetados pela presença de javalis, mas considerou importante avaliar os resultados desta primeira fase experimental.
“Aquilo que entendemos é que estes três municípios, Mação, Sardoal e Abrantes, não são os únicos com este problema”, afirmou o autarca, referindo que a presença frequente destes animais, nomeadamente em zonas urbanas, tem suscitado preocupações entre as populações do Médio Tejo, no distrito de Santarém.
Manuel Jorge Valamatos reagia ao projeto-piloto lançado na quarta-feira pelo Governo, com uma dotação de 500 mil euros para incentivar o abate adicional de javalis em mais de 1.300 zonas de caça, distribuídas por 65 concelhos de 15 distritos de Portugal continental.
O presidente da CIM, que também preside ao município de Abrantes, manifestou a expectativa de que, em fases posteriores e em função dos resultados alcançados, outros municípios com problemas semelhantes possam vir a ser incluídos nas medidas de controlo populacional.
“Estamos aqui numa fase inicial, uma fase embrionária também, uma fase experimental”, afirmou, considerando que o essencial é garantir que as estratégias adotadas produzam resultados efetivos na redução da população de javalis.
Para Manuel Jorge Valamatos, a presença destes animais representa riscos para as comunidades, nomeadamente devido aos acidentes rodoviários associados à circulação da espécie, pelo que a regulação das populações poderá contribuir para uma maior tranquilidade dos habitantes.
O responsável adiantou que os três municípios abrangidos irão procurar, através dos técnicos municipais, das estruturas de proteção civil e das associações de caçadores, em articulação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), corresponder aos objetivos estabelecidos pelo programa.
Relativamente aos apoios financeiros previstos, Valamatos considerou-os necessários e justos, atendendo aos custos associados à atividade cinegética e à perda de interesse económico na caça ao javali.
“O javali deixou de ter aqui um interesse económico que leve, digamos, à sua procura”, afirmou, acrescentando que a captura destes animais se tornou uma atividade dispendiosa e pouco atrativa para os caçadores e respetivas associações.
Na perspetiva do autarca, os incentivos representam uma compensação pela atividade desenvolvida e poderão contribuir para mobilizar as entidades envolvidas no controlo da espécie, desde que as capturas decorram de forma regulada.
Segundo o aviso publicado pelo ICNF, os apoios destinam-se às entidades titulares ou gestoras de zonas de caça, com incentivos de 50 euros por macho e 70 euros por fêmea abatidos acima da média histórica, até ao limite de 2.000 euros por zona de caça.
Está ainda previsto um incentivo adicional de 10 euros por exemplar encaminhado para estabelecimentos aprovados de manuseamento de caça, promovendo o aproveitamento da carne em condições de segurança alimentar.
O projeto decorre até 31 de maio de 2027, estando a seleção dos municípios abrangidos fundamentada em critérios técnicos e científicos, designadamente os danos agrícolas e florestais, a sinistralidade rodoviária, os riscos sanitários e a expansão territorial da espécie.
A CIM Médio Tejo tinha manifestado disponibilidade para os seus 11 municípios integrarem este projeto-piloto, embora apenas Abrantes, Mação e Sardoal tenham sido incluídos na lista agora publicada.
