O livro, ‘O último engraxador de Santarém – memórias de Vítor Tomé’, foi ontem, quinta-feira, 23 de Maio, apresentado ao público no histórico Café Central, local onde exerceu a sua profissão ao longo de várias décadas.

Vítor Tomé foi engraxador no Central durante quase toda a sua vida. Conheceu praticamente todas as personagens da ‘movida’ da cidade e da região scalabitana, nas décadas de 50 a 80.

Vítor Tomé ouviu as conversas e os desabafos dos seus clientes –  como se lá não estivesse -, impossibilitado de os partilhar, de acordo com um imaterial código rígido ou de uma ética de confessionário que seguiu à risca.

“Os seus ouvidos foram -e são- os ouvidos da cidade, a sua atenção foi a antena que captou os sinais da vida de Santarém -a visível e a outra-, e a sua consciência foi-se moldando aos factos de que foi testemunha silenciosa, mas que continua a guiar-se pela bússola dos valores adquiridos desde a infância”, segundo o autor, João Serrano.

Na presença de familiares de Vítor Tome – atualmente com 91 anos, encontra-se num lar nos arredores da cidade – foram recordados vários episódios do incansável engraxador que ficou conhecido como ‘excelência’, a forma recorrente como se dirigia e tratava aos clientes.

A obra viaja pela memória ainda recente da história de Santarém e recorda “uma personagem que marcou a vida da cidade de muitas formas”.

A introdução histórica e as notas à obra foram realizadas pelo historiador José Raimundo Noras, que reviu os depoimentos de Vítor Tomé e investigou a fidelidade dos seus testemunhos, “certeiros e verdadeiros”, como os qualificou.

Com o apoio do Município de Santarém, a edição pertence à Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça (AIDIA), sendo que, de acordo com o vereador da cultura da autarquia de Santarém, Nuno Domingos, esta obra pode considerar-se já como” fazendo parte da história da cidade”.

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