A Santa Casa da Misericórdia de Pernes assinalou, a 23 de Maio, os seus 435 anos de serviço à comunidade afirmando-se, cada vez mais, como um dos pilares mais robustos do concelho.

A secular instituição está mais viva do que nunca e, nesse sentido, lançou um projecto que pretende ‘revolucionar’ a paisagem urbana de Pernes. Recentemente, a Mesa Administrativa, liderada pelo Provedor Manuel João Maia Frazão, adquiriu um loteamento na parte alta da vila, com uma área total de 22.354 M2, e que permitirá construir um conjunto de edifícios em habitação colectiva, mas também isolada.

Dos 56 lotes, sete serão edificados pela Misericórdia, sendo dedicados a apartamentos de renda acessível. Nas palavras do Provedor, trata-se um projecto “ousado”, mas necessário, para garantir o futuro.

“É urgente fixar pessoas neste território”, diz, apontando que a Misericórdia de Pernes se assume, cada vez mais, como um motor do desenvolvimento local e agente transformador da comunidade que serve.

“Eu tenho a clara convicção que uma Misericórdia tem que ser gerida com uma mentalidade empresarial. Não esquecendo, obviamente, a área social, que é esse o nosso foco, temos que pensar que tem de haver, para além dos resultados das valências e do apoio do Estado, um pensamento de gestão pura porque, se assim não for, as Misericórdias deixam de ter capacidade de cumprirem a sua missão”, afirmou.

“No nosso caso”, continuou, “estamos atentos e fazemos essa leitura: aproveitamos as oportunidades que nos surgem e investimos em projectos multiplicadores. Tivemos, recentemente, a felicidade de conseguir que aqui, em Pernes, nos fosse proposto, um projecto que tanto é necessário: uma urbanização na parte alta da vila. Trata-se de uma urbanização que havia sido lançada foi há mais de 20 anos, mas que nunca avançou. Tem as infra-estruturas todas, os arruamentos, a água, luz, mas o projecto não avançou. Agora, surgiu a oportunidade de a Misericórdia poder avançar para a aquisição deste loteamento. Estamos a falar de 56 lotes, com uma área total de 22.354 M2 e que permite um conjunto de edifícios em habitação colectiva, mas também isolada. Dos 56 lotes, sete permitem construção em altura e vamos contrui-los e dedica-los a apartamentos de renda acessível”.

Segundo Maia Frazão, a Misericórdia de Pernes possui, actualmente, em Lisboa, cerca de 40 prédios ocupados por famílias da classe média, universitários e trabalhadores-estudantes, com rendas inferiores às praticadas no mercado, fruto do legado do benemérito José Gonçalves Pereira.

E, na vila de Pernes, tem também um bairro com um conjunto de apartamentos com essa modalidade que serve, não só os colaboradores da instituição, mas também para fixar elementos da GNR, bombeiros, e até professores.

“Este bairro foi feito há mais de 20 anos, também nesta perspectiva. E este novo projecto segue essa linha continuada de gestão que queremos praticar. Queremos fixar pessoas em Pernes. Estes sete edifícios terão uma capacidade de 50 fogos, a ser construídos e explorados por nós. Os restantes 49 lotes, que correspondem a 49 habitações, serão moradias unifamiliares. Queremos colocar no mercado estes lotes de terreno, sempre com este pensamento, que é trazer pessoas Pernes e ajudar a combater a desertificação a que estamos a assistir nesta terra. E temos aqui uma grande felicidade: esta urbanização, mesmo com esta dimensão, está integrada dentro da Área de Reabilitação Urbana (ARU). Fruto disso, o IVA, passa de 23 para 6%. A família que adquira o lote de terreno – e nós só venderemos um lote por família, não vendemos para tecido empresarial – se uma habitação custa 100.000 € a família vai poupar 17.000 € por via da redução do imposto”, descreveu.

A par disso, segundo transmitiu, os lotes já têm projecto incluído. Ou seja: a família, quando comprar, sabe que não necessita de se preocupar com outros pareceres: já tem o seu projecto e basta ter o capital para fazer a obra ou ter o financiamento garantido.

“A Misericórdia vai precisar de novos colaboradores e eles têm que ser fixados em Pernes para permitir desenvolver a economia local. Neste aniversario é uma prenda que queremos dar à irmandade e á própria comunidade, não só de Pernes, mas à comunidade escalabitana porque esta é, no concelho, a maior urbanização que está em condições de ser construída. Estes projectos e esta vontade em arranjar formas de atrair e fixar pessoas na terra dá trabalho, mas o sucesso deste objectivo é a garantia de um futuro mais risonho, é termos pessoas, termos vida”, diz ainda.

“Sabemos que é um projecto audaz, mas, volto a frisar, o futuro passa por fixar estas pessoas. Acima de tudo, passa por dar vida àqueles 23 mil metros que estavam ali há mais de 20 anos abandonados. É um projecto que não é só económico, é também social. Naturalmente, este projecto exige grande rigor na construção dos sete lotes que mencionei. Tenho esperança de que iremos conseguir construções com preço controlado, sabendo da situação que existe com materiais e mão de obra, porque, depois, também, queremos que as rendas sejam acessíveis”, concluiu.

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