António Cecílio era um homem simples e discreto, era um homem bom, que sempre lembramos com muito carinho. Era um fotógrafo à maneira antiga, que se deslocava da sua cidade de Évora para todo o lado apenas pela paixão pela tauromaquia e pela fotografia. Contemporâneo de grandes figuras da fotografia taurina, como o foram os Figueiredos, pai e filho, o Carlos Brito, o Luís Azevedo, o Emílio e o Chaparreiro, que apesar de terem de vender as suas fotografias, porque esse era o seu ganha-pão, ofereciam mais do que vendiam. 

Quando as exigências legais impuseram que os fotógrafos tivessem de estar habilitados com “carteira de jornalista” para permanecer na trincheira, as coisas complicaram-se, porque António Cecílio não estava ligado a nenhum órgão de comunicação social e já não tinha idade para refazer a sua vida profissional. Os empresários antigos, que o consideravam muito, facilitavam-lhe a vida, porém as novas gerações de empresários, que não conhecem ninguém, deixaram de o credenciar e o nosso Amigo Cecílio deixou de aparecer nas praças. Foi pena, porque a sua arte não teve seguidores.

Hoje, as máquinas digitais fazem milagres, mas a maioria dos fotógrafos taurinos não sabem captar os momentos para uma boa “chapa”, só que disparam tanto que algumas fotografias hão-de aproveitar-se. As que não servirem “apagam-se”, pois não custam dinheiro…

Quando alguns empresários começaram a mandar o António Cecílio para a bancada, não sabem o quanto o humilhavam, quanto ele sofria por não estar no sítio ideal para fazer uma boa fotografia.

A sua morte deixou-nos um vazio. Partiu um Amigo, um Homem bom e sério. Já temos saudades. Que descanse em Paz!

 

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