Um movimento criado para defender a Ponte da Panela e a comissão de Utentes dos Serviços Públicos do concelho de Santarém lançaram um abaixo-assinado a exigir um calendário para a requalificação daquela infraestrutura, encerrada à circulação há vários meses.
No texto do abaixo-assinado, enviado hoje à Lusa, o Movimento para a Defesa da Ponte da Panela e a Comissão de Utentes afirmam que a ponte assegura uma ligação “essencial” entre as freguesias de Vale de Figueira e São Vicente do Paúl, sendo utilizada diariamente por trabalhadores, estudantes, empresas, produtores agrícolas, serviços de apoio domiciliário, associações e população em geral.
De acordo com os promotores da iniciativa, o encerramento da ponte tem provocado dificuldades às populações e às atividades económicas, em particular ao setor agrícola, devido à necessidade de realizar desvios, “com consequente perda de tempo e aumento dos custos de combustível”.
O documento refere ainda que a Ponte da Panela atravessa a Linha do Norte, considerada o principal eixo ferroviário do país, sustentando que o estado da estrutura representa não apenas um problema rodoviário, mas também uma preocupação “ao nível da segurança ferroviária, devido às limitações de velocidade impostas à circulação dos comboios”.
Os subscritores consideram que, além dos prejuízos económicos e sociais, o encerramento da infraestrutura dificulta a ligação entre as populações de São Vicente do Paúl e Vale de Figueira.
Segundo o abaixo-assinado, as populações continuam sem uma “resposta concreta” sobre a intervenção prevista, afirmando que há mais de um ano aguardam pelo lançamento do concurso público para a execução da obra.
Nesse sentido, os promotores exigem à Câmara Municipal de Santarém a apresentação pública de um calendário com as datas para o lançamento da empreitada, início dos trabalhos e conclusão da requalificação da ponte, defendendo que a intervenção é necessária para garantir a segurança e a mobilidade das populações afetadas.
O vereador com o pelouro das Obras Municipais na Câmara de Santarém, Pedro Gouveia, afirmou, na última reunião de câmara, que o município já identificou uma empresa disponível para executar a intervenção, depois de o concurso público lançado para a empreitada ter ficado deserto.
Segundo o autarca, a requalificação da Ponte da Panela apresenta um elevado grau de complexidade técnica e está sujeita a condicionantes impostas pela Infraestruturas de Portugal, nomeadamente a realização dos trabalhos em períodos noturnos de cerca de quatro horas diárias, fatores que, disse, reduziram o interesse das empresas na obra.
De acordo com Pedro Gouveia, a empresa que manifestou disponibilidade para realizar a intervenção encontra-se atualmente a executar trabalhos em passagens de nível do concelho e apresentou já um orçamento ao município.
Segundo o responsável, o processo segue agora os trâmites administrativos necessários para a contratação, pelo que o vereador disse não poder indicar uma data para o início da obra, por esta depender da conclusão dos procedimentos de adjudicação.
